Um estudo de uma equipa do Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa, revelou que várias crianças portuguesas que antes eram saudáveis, ficaram com “lesões cardíacas permanentes” após contraírem Covid-19.
Isto acontece porque desenvolvem a Síndrome Inflamatória Multissistémica (MIS-C) e múltiplas sequelas, fazendo com que seis meses depois apresentassem “diminuição da tolerância ao esforço e lesão cardíaca persistente”.
Segundo a pesquisa, publicada na Ata Médica Portuguesa, de um total de 312 crianças internadas, foram identificadas 45 – com mediana de idades de sete anos – que desenvolveram MIS-C, ou seja, cerca de 14,4%.
Destas, 60% eram “previamente saudáveis”, revelam os autores adiantando que “todos os casos cursaram com febre e envolvimento multiorgânico: hematológico (100%), cardiovascular (97,8%), gastrointestinal (97,8%), mucocutâneo (86,7%), respiratório (26,7%), neurológico (15,6%) e renal (13,3%)”.
A pesquisa mostrou ainda que “13 doentes (28,8%) necessitaram de cuidados intensivos e não se registaram óbitos” e que “dos 21 doentes avaliados seis meses após a alta, 90,4% apresentaram diminuição da tolerância ao esforço e 8/15 (53,3%) lesão cardíaca persistente”.
“Observámos um amplo espectro de apresentação da doença num grupo de doentes previamente saudável, na sua maioria. Uma pequena percentagem de pacientes (28,9%) teve uma apresentação grave da doença”, sublinharam os autores.
De acordo com o estudo, “o diagnóstico da MIS-C é um desafio na prática clínica atual e requer um elevado nível de suspeição pois o início atempado de terapêutica é fundamental para prevenir complicações. No entanto, não existe ainda consenso científico sobre a melhor terapêutica e seguimento destes doentes”, concluíram.








