Netflix apresenta hoje resultados do segundo trimestre. Gigante de streaming deve perder “mais dois milhões de subscritores”, diz analista

A plataforma de streaming Netflix anuncia hoje os resultados do segundo trimestre do ano após o fecho da bolsa norte-americana. 

Mariana da Silva Godinho

A plataforma de streaming Netflix anuncia hoje os resultados do segundo trimestre do ano após o fecho da bolsa norte-americana. No trimestre passado, apresentou uma perda de 200 mil assinantes face ao anterior, uma novidade em mais de 10 anos, e as suas ações recuaram mais de 24% nas transações após a divulgação dos números.

A forte queda das ações da empresa penalizou o anúncio de baixa de assinantes dos seus serviços à escala mundial, bem como o conjunto do seu desempenho no trimestre terminado em março.



Nuno Mello, analista da XTB, explicou à ‘Executive Digest’ que “a gigante do streaming culpou as pessoas que compartilham assinaturas, a concorrência do setor e a conjuntura económica atual. A empresa demitiu 450 funcionários desde Abril, numa tentativa de cortar custos”.

Com efeito, a Netflix faturou 7,9 mil milhões de dólares (7,83 mil milhões de euros) no primeiro trimestre, mais de 10% em relação ao período homólogo de 2021, mas os seus lucros de 1,6 mil milhões de dólares (1,58 mil milhões de euros) foram inferiores aos homólogos, que tinham sido de 1,7 mil milhões de dólares (1,68 mil milhões de euros).

A baixa trimestral dos assinantes foi atribuída à dificuldade de conseguir novos assinantes em todas as regiões do mundo e à suspensão do serviço na Federação Russa.

A Netflix esperava aumentar o seu número de assinantes em 2,5 milhões, e os analistas esperavam ainda mais, mas perdeu, o que reduziu o total a 221,64 milhões.

“A suspensão do nosso serviço na Federação Russa e a diminuição progressiva do número de assinaturas pagas russas provocou uma baixa líquida de 700 mil subscritores. Sem este impacto, teríamos tido 500 mil novos assinantes” em relação ao último trimestre, detalhou a empresa californiana, no seu comunicado com os resultados.

Para o segundo trimestre o analista explicou que se espera “que a Netflix perca mais dois milhões de subscritores no segundo trimestre, apesar da empresa manter a sua meta de margem de 20% para o ano inteiro”. Em termos de receitas, devem alcançar os 8,05 mil milhões de dólares (cerca de 7,97 mil milhões de euros), 9,7% acima do período homólogo, e o lucro líquido deve chegar a 1,73 mil milhões de dólares (1,71 mil milhões de euros), um valor acima do alcançado no trimestre anterior.

Sobre as perspetivas para o futuro, Nuno Mello explicou que “a longo prazo, a Netflix prevê que grande parte do seu crescimento virá de fora dos EUA”, pois “está a produzir atualmente filmes e séries em mais de 50 países com alto grau de integração no ecossistema de entretenimento local, resultando na criação de blockbusters de todas as regiões”.

“Do lado do conteúdo, a Netflix está a dobrar o desenvolvimento de histórias e a excelência criativa, o que se refletiu em grandes sucessos como Bridgerton e Inventing Anna. A administração também está a analisar a forma como vai monetizar os 100 milhões de casas que estão a usar as contas de outras pessoas”, concluiu.

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