Rússia deve sair do mercado global de energia quando Europa implementar embargo, dizem executivos da Chevron e da Woodside Petroleum

O resultado de um embargo europeu à energia russa deve resultar numa exclusão permanente da Rússia do mercado global energético, dizem executivos das empresas Chevron e Woodside Petroleum, acrescentando que os Estados Unidos e a Austrália vão beneficiar disso.

Mariana da Silva Godinho
Maio 17, 2022
14:43

O resultado de um embargo europeu à energia russa deve resultar numa exclusão permanente da Rússia do mercado global energético, dizem executivos das empresas Chevron e Woodside Petroleum, acrescentando que os Estados Unidos e a Austrália vão beneficiar disso.

Segundo dados da Agência Internacional de Energia, a Rússia forneceu cerca de um terço do gás da União Europeia em 2021, o que faz com que os países do bloco estejam à procura de novas alternativas para fornecimento de petróleo e gás.

Em declarações numa conferência da indústria de petróleo e gás em Brisbane a que o ‘Financial Times’ teve acesso, Meg O’Neill, presidente executiva da empresa australiana de petróleo e gás Woodside ainda iam demorar a livrar-se da energia russa, mas que quando isso acontecesse, já não voltariam a depender desta.

“Os europeus pós-Segunda Guerra Mundial pensaram que nunca mais haveria guerra em solo europeu”, disse O’Neill. “Acho que o que aconteceu é tão chocante para eles que acho que não serão iludidos com a complacência em adquirir energia da Rússia no futuro.” Para além disso, acrescentou que os produtores de gás liquefeito na Austrália teriam uma forte procura por parte dos países do leste asiático, perante um corte das relações energéticas com a Rússia.

Já Kory Judd, diretor de operações para negócios australianos da Chevron, disse na mesma conferência que a Rússia só voltaria ao tal sistema global de energia se o presidente Vladimir Putin tivesse uma “rápida mudança de opinião” acompanhada de “ações mais responsáveis”, apesar de reforçar que é uma situação improvável.

Michael Shoebridge, diretor de defesa, estratégia e segurança nacional do think-tank Australian Strategic Policy Institute, disse também na conferência que estamos a presenciar a criação de dois blocos energéticos distintos: um composto pela China e a Rússia e outro composto pela Europa, América e a região do Indo-Pacífico.

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