Empresas pagam e funcionários definem condições: este é o novo paradigma do mercado de trabalho pós-pandemia

Quando a pandemia de Covid-19 apareceu, as empresas viram necessidade de oferecer aos seus funcionários benefícios para ultrapassar uma situação sem precedentes e completamente desconhecida, que apresentava uma elevada incerteza.

Mariana da Silva Godinho

Quando a pandemia de Covid-19 apareceu, as empresas viram necessidade de oferecer aos seus funcionários benefícios para ultrapassar uma situação sem precedentes e completamente desconhecida, que apresentava uma elevada incerteza.

No entanto, estes benefícios, como licenças por doença alargadas, horários flexíveis, e trabalho remoto, que apareceram por necessidade e na perspetiva de virem a desaparecer, estão agora a tornar-se medidas permanentes e muito populares no mercado de trabalho que muitas vezes são a razão para conseguir, ou não, contratar novos talentos.



Em declarações ao site ‘Fortune’, Julie Stone, Managing Director, Health & Benefits da Willis Towers Watson, explica que “os trabalhadores estão a estabelecer limites em torno do tempo de trabalho e do local de trabalho que não vão voltar atrás em seis ou nove meses”, acrescentando que a escassez de mão-de-obra também lhes deu a oportunidade de fazer exigências.

“O que aconteceu em 2020, 2021, e 2022 moldará para sempre o que os funcionários irão fazer, a nossa sociedade, e o papel do empregador”, acrescenta Stone.

A saúde mental no trabalho é uma das questões que mais preocupou as equipas de recursos humanos quando a pandemia fechou as equipas em casa. A Cisco Systems, que ocupa o primeiro lugar na lista “100 Best Companies to Work For” do ‘Fortune’, tem acelerado as ações de terapia para os funcionários e lançou o “Dia para Mim” em 2021, onde impulsiona as equipas a darem prioridade ao autocuidado.

Outra das medidas implementadas pela empresa no ano passada foi a oferta de mais oito dias de férias pagas, sendo que está previsto a implementação de mais três dias este ano, de acordo com o site.

A flexibilidade e uma das novas palavras mais utilizadas no que toca às condições laborais, e, segundo o Pew Research Center, foi uma das principais razões para quase metade dos trabalhadores deixarem o emprego em 2021, pois estes querem ter a possibilidade de escolher onde, quando e como vão trabalhar.

“Com pessoas que não estão presentes cinco dias por semana, ou algumas que trabalham permanentemente a partir de casa, novas estratégias de comunicação e envolvimento são cruciais”, diz Stone, em declarações à publicação.

Um exemplo dessas estratégias é da Accenture, empresa global de serviços e consultoria de IT, que ocupa o 6º lugar no ranking e criou o seu próprio escritório no metaverso, onde os funcionários podem aceder a réplicas exatas do local de trabalho.

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