O administrador financeiro da TAP, Gonçalo Pires, disse hoje que “não são esperadas mais perdas relacionadas com a ME Brasil”, cujo encerramento gradual foi anunciado em janeiro e que representou a maior parte dos custos não recorrentes em 2021.
A TAP reportou hoje um prejuízo de quase 1.600 milhões de euros no ano passado, apesar do aumento do número de passageiros transportados e das receitas relativamente ao ano anterior, sendo que a maior parte dos custos não recorrentes derivam de perdas acumuladas da TAP ME Brasil.
Segundo o responsável financeiro, “não são esperadas mais perdas relacionadas com a ME Brasil”, disse aos jornalistas, na conferência de imprensa sobre os resultados de 2021.
O Grupo TAP anunciou em janeiro que decidiu encerrar as operações de manutenção e engenharia no Brasil, como parte do plano de reestruturação aprovado por Bruxelas em dezembro.
“Depois de uma análise aprofundada e muitos estudos, a TAP decidiu fechar a Manutenção & Engenharia no Brasil e encerrar de forma gradual a operação no Brasil e vamos discutir com os trabalhadores, claro, que são a principal prioridade, mas também discutir com os nossos clientes”, anunciou à Lusa a presidente executiva (CEO) da TAP, Christine Ourmières-Widener.
A Comissão Europeia informou em 21 de dezembro que aprovou o plano de reestruturação da TAP e a ajuda estatal de 2.550 milhões de euros, mas impôs condições, incluindo a separação dos ativos não-essenciais, nomeadamente o negócio de manutenção no Brasil, e os de ‘catering’ (Cateringpor) e de ‘handling’ (Groundforce).
A CEO da TAP admitiu que o encerramento gradual da ME Brasil é um “processo bastante difícil”, e que ainda decorre “com muita discussão”.
Segundo explicou a responsável, desde o anúncio têm estado a decorrer debates, para “garantir que o processo é feito envolvendo todas as partes interessadas”.
Alvo de várias reestruturações com despedimentos, a última das quais em 2018, a M&E Brasil recebeu da TAP, globalmente, entre 2010 e 2017, injeções financeiras num total de 538 milhões de euros, a valores nominais, sendo que em 2018 foram feitas transferências de 30 milhões de euros.






