Esta quinta-feira, o Banco Central Europeu realiza a primeira reunião de política monetária depois de se ter iniciado o conflito na Ucrânia, que já se previa ser uma das mais importantes dos últimos meses antes de a Rússia invadir o país vizinho.
Esta era a reunião em que o banco central iria finalmente normalizar a política pós-pandemia, apresentando uma mudança de rumo para a Zona Euro e anunciar o fim dos estímulos. No entanto, a ameaça de Putin levou o BCE a questionar se esta é a melhor altura para restringir a política monetária, segundo o ‘elEconomista’.
Portanto, o foco de hoje para os responsáveis do banco central será o novo contexto económico de mercado que a guerra criou e o impacto económico que a invasão da Ucrânia poderá vir a ter sobre a Zona Euro, agindo depois em conformidade com as conclusões.
Neste sentido, o BCE terá de fazer uma escolha difícil entre duas opções, explica a publicação espanhola: avaliar se é mais prioritário combater a inflação elevada e arriscar que o crescimento económico se deteriore significativamente ao retirar os estímulos monetários ou abrandar o processo de recuo dos estímulos. Esta segunda opção pode ser perigosa porque apoia o crescimento, mas ao mesmo tempo deixa a inflação completamente fora de controlo.
À pergunta sobre o que o BCE deve fazer, 27 analistas questionados pela ‘Bloomberg’ acham que vai optar por avançar com o plano de recuo dos estímulos, embora de forma mais lenta face ao que fariam caso não tivesse começado a guerra.
Relativamente às previsões de inflação, 100% dos 27 analistas prevê que a inflação seja revista em alta face à atual previsão do BCE de 3,2%. Sobre 2023, 88% dos analistas também acredita que a inflação também será revista em alta e em 2024, 56% têm a mesma opinião. Estas novas previsões também se justificam com o conflito armado que parece elevar ainda mais a inflação.
Outro dos focos desta reunião é o Programa de Compras de Emergência Pandémica (PEPP), concebido pelo BCE para combater a crise causada pela Covid-19, e cuja data de termino já tinha sido indicada como sendo neste mês de março.
No entanto, a publicação espanhola explica que as previsões dos analistas é que estas compras do PEPP sejam transferidas para o Programa de Compra de Ativos (APP) e desta forma o BCE evita que as injeções de liquidez terminem de forma repentina, suavizando o impacto para os mercados.
Finalmente, as taxas de juro podem não ser adiadas até 2023, segundo os analistas consultados pela ‘Bloomberg’. Antes de começar a guerra, os mercados descontavam dois aumentos das taxas na região, um em setembro e outro em dezembro, mas após o início do conflito passaram a descontar o primeiro aumento das taxas de juro para dezembro de 2022.





