Portugal avança para fase de mitigação: Saiba tudo o que muda

Arranca esta quinta-feira a segunda fase de mitigação da pandemia de Covid-19 em Portugal. Esta etapa entrou em vigor à meia-noite e corresponde à mais grave em termos de contágio, fazendo com que todos os recursos estejam alinhados para responder da melhor forma possível aos efeitos do vírus.

Automonitor

Integrada no Plano Nacional de Preparação e Resposta (que inclui três níveis e seis subníveis), a fase de mitigação é ativada quando as cadeias de transmissão estão estabelecidas no País, tanto em ambientes fechados como abertos. É também a altura em que já não é possível descobrir a origem destas cadeias.

Quando se chega a esta fase, significa que as medidas de contenção se revelam já insuficientes, devendo os esforços focar-se na mitigação dos efeitos e na diminuição da propagação da doença. A fase de mitigação é o último nível de resposta antes da recuperação.



“Como em todas as mudanças, a fase de transição pode ter alguma turbulência”, alerta Graça Freitas, diretora-geral da Saúde. “Estamos cá para resolver os problemas que vão surgindo e contamos com a ajuda de todos. Vamos prestar assistência aos doentes de acordo com o grau de gravidade da doença”. Resta saber o que muda, considerando a norma 4 publicada pela Direcção-Geral de Saúde (aqui).

Quem é considerado caso suspeito?

Ao contrário do que acontecia até agora, basta um sintoma da doença para que alguém se torne imediatamente suspeito de infecção por COVID-19. Tosse ou febre são dois dos sintomas mais comuns, de acordo com a Direcção-Geral de Saúde.

O que devo fazer?

O primeiro passo é ligar para a linha SNS24. As pessoas que suspeitarem de infecção não devem ir ao hospital sem indicação prévia. A maioria das pessoas deverá ser testada em casa e acompanhada pelo centro de saúde local via telefone.

Qual é o passo seguinte?

De acordo com a avaliação dos sintomas, o cidadãos pode ser encaminhado para:

  • Autocuidados com isolamento em casa e sob vigilância, em caso de sintomas ligeiros;
  • Avaliação médica em Área Dedicada Covid-19 (ADC) no centro de saúde, em caso de sintomas moderados;
  • Avaliação médica em ADC no serviço de urgência, em caso de sintomas graves;
  • Ligação direta com o INEM em caso de urgência.

Pediram-me para ficar em autocuidados. O que isto significa?

Pacientes que tenham indicação para ficar em autocuidados devem permanecer em isolamento em casa, sendo que a linha SNS24 irá avaliar se a habitação tem condições.

Quem tiver indicação para ficar em casa mas não o puder fazer (por não ter condições), deverá dirigir-se ao hospital indicado e permanecer na zona criada para esse efeito (que neste momento já deve existir em tdos os serviços de urgências hospitalares e centros de saúde). Se não tiverem meios próprios para se deslocarem, os pacientes devem solicitar uma ambulância. Nunca deverão optar pelos transportes públicos.

Quem puder ficar em casa, será avaliado e monitorizado pelo centro de saúde ou unidade saúde familiar: o acompanhamento será feito preferencialmente por telefone pelo médico de família. Será também feito um inquérito epidemiológico para rastreio de contactos e para a implementação de medidas que se consideram necessárias, indica o jornal Público.

Segue-se o teste para detecção da doença, sendo enviado um SMS com a requisição do teste e agendamento da colheita. O mesmo deve acontecer no prazo máximo de 48 horas após o contacto do doente, que será depois informado dos procedimentos a seguir.

Quem deve ser testado?

Todos os casos suspeitos devem ser testados, quer estejam em casa ou numa unidade de saúde. Se não existirem testes suficientes, há uma lista de prioridades a seguir:

  • Doentes a precisar de internamento;
  • Recém-nascidos e grávidas;
  • Profissionais de saúde (apenas os que apresentam sintomas de infeção);
  • Doentes crónicos com doença ativa;
  • Utentes de lares e de unidades de convalescença;
  • Aqueles que tenham tido contactos próximos com os casos suspeitos.

O que acontece aos resultados?

Todos os doentes com suspeita de COVIDd-19 são registados no SINAVE e todos os resultados de testes laboratoriais são regitados na plataforma informática de cada laboratório. Depois, devem ser inseridos também no SINAVE.

A indicação é avaliação médica no centro de saúde. O que significa?

Será encaminhado para a ADC que responde à sua zona de residência, informação que deve ser dada pelas câmaras municipais e autoridades de saúde locais e regionais;

O transporte para a ADC será feito em veículo próprio se possível. Quando necessário será activada uma ambulância, opção limitada para ocorrências em locais públicos ou a doentes que não tenham possibilidade de usar transporte particular;

São avaliados por um médico. Os que cumprirem critérios de internamento ou de avaliação na urgência são encaminhados para o hospital. O que não precisam, são submetidos a teste no local indicado e depois informados do resultado e têm indicação para ficar em isolamento em casa com vigilância;

Aqueles que não têm condições de habitabilidade e exequibilidade do isolamento são encaminhados para a ADC da urgência.

Quais são as condições de habitabilidade?

  • Telefone ou telemóvel facilmente acessível;
  • Termómetro;
  • Quarto separado ou cama individual para o doente. Se não for possível, é necessário usar máscara cirúrgica;
  • Acesso a casa de banho, preferencialmente individual;
  • Água e sabão para higiene das mãos e produtos de limpeza doméstica;
  • A existência de um cuidador, de acordo com a avaliação clínica;
  • Não ser recém-nascido ou pessoa imunossuprimida ou grávida;
  • Não residir com pessoas imunossuprimidas ou grávidas.

Quais os hospitais de serviço na luta contra o Covid-19?

A partir da meia-noite, todos os hospitais e clínicas do setor privado e social passam a receber e tratar doentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a preços do Estado. A medida abrange pessoas infectadas com Covid-19, mas não só.

Em traços gerais, “os serviços de saúde do sector privado e social passam a receber doentes encaminhados pela linha SNS24 ou pelos centros de saúde, casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo novo coronavírus”, começa por explicar Óscar Gasçpar à TSF. Segundo o presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada ((APHP), os termos exactos do acordo serão conhecidos nos próximos dias.

Sabe-se já, porém, que estas unidades de saúde também estarão disponíveis para aliviar o SNS relativamente a pacientes com outras patologias. Óscar Gaspar garante que não se trata de uma requisição (ou seja, imposição) mas, sim, de uma parceria com o Governo que deixa hospitais públicos e privados em pé de igualdade.

O que não muda?

A cura é determinada pela existência de dois testes negativos, com pelo menos 24 horas de diferença, tal como já acontecia até aqui.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.