China e Cuba investigam vacina genérica contra diferentes tipos de coronavírus

Trata-se do projeto Pan-Corona, uma iniciativa baseada num centro de pesquisa e desenvolvimento biotecnológico que funciona desde 2019 na cidade chinesa de Yongzhou (província central de Hunan).

Simone Silva

Cientistas da China e de Cuba querem antecipar futuras pandemias ao investigar uma potencial vacina genérica, que protege contra diferentes tipos de coronavírus e possíveis estirpes emergentes, de acordo com o ‘La Vanguardia’.

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Trata-se do projeto Pan-Corona, uma iniciativa baseada num centro de pesquisa e desenvolvimento biotecnológico que funciona desde 2019 na cidade chinesa de Yongzhou (província central de Hunan), liderada por especialistas cubanos do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB).

“Todas as previsões e racionalidade científica sugerem que infelizmente teremos que sofrer novas epidemias como consequência lógica do aumento da população mundial, produção animal e movimentação de pessoas”, explicou o diretor de Pesquisas Biomédicas do CIGB, Guillén Gerardo, citado pelo jornal.

A iniciativa concentra-se nos coronavírus não só devido à crise global causada pelo Sars-CoV-2, mas também tendo em consideração que esta família de vírus é uma das mais prováveis ​​de passar de animais para humanos (fenómeno denominado de zoonose), com antecedentes como MERS no Médio Oriente, ou Sars-CoV-1.

“Aprendemos com o que tem acontecido nos últimos anos e seríamos ingénuos se não nos preparássemos para possíveis novas emergências. A China também sabe disso”, adiantou o especialista ao ‘La Vanguarda’.

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Desta forma, em fevereiro do ano passado, o CIGB apresentou este projeto a um departamento do Ministério de Ciência e Tecnologia da China e obteve financiamento para começar a investigar “algo diferente”, visto que “toda a gente” já estava a trabalhar em vacinas contra o Sars-CoV-2.

Pan-Corona é um antígeno, que tem sido o ponto de partida para o desenvolvimento de vacinas com um histórico de sucesso como a da hepatite B. “Não estamos a começar do zero nem a tentar algo inédito. Por isso, confiamos que vamos avançar rapidamente”, disse o responsável.

Conforme explica o cientista, a vacina candidata combina dois mecanismos de resposta imune: o humoral, dos anticorpos, e o celular, que são células ativadas para combater o vírus. “Estamos à procura, entre os diferentes coronavírus, regiões conservadas para as respostas celulares e de anticorpos”, acrescentou.

Por outras palavras: está a ser desenhada uma vacina que combina artificialmente fragmentos comuns de diferentes tipos de coronavírus já conhecidos, com o objetivo de induzir uma resposta de anticorpos no organismo.

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