Acordo para reduzir emissões de CO2 em 55% “é uma farsa”, lamentam especialistas

Ambientalistas defendem a política não é suficientemente ambiciosa e vai ao encontro do acordo de Paris.

Ana Sofia Ribeiro

A meta da União Europeia para reduzir 55% das emissões de carbono até 2030, fruto de um acordo alcançado esta quarta-feira entre o Conselho e Parlamento Europeu, foi descrita como uma “farsa” por parte de vários grupos ambientais.

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Após 14 horas de negociações intensas, representantes dos Estados membros da UE e do Parlamento Europeu anunciaram um acordo de princípio sobre cortes nas emissões de carbono e a criação de um novo grupo de cientistas independente para controlar a medida ambiental.

Este avanço, nas palavras da Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, citada pelo ‘The Guardian’, que pretende “colocar a UE num caminho verde”, prevê uma redução de pelo menos 55% nas emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2030, em comparação com os níveis de 1990, e emissões líquidas zero até 2050.

Os ambientalistas estão, no entanto, contra o acordo estabelecido, que dizem falhar por prender todos os Estados membros a zero emissões até 2050, como consequência de a Polónia ter optado por não assinar um acordo provisório dos líderes sobre a mesma meta em dezembro passado. A Polónia depende do carvão para 80% da eletricidade do país.

De acordo com Wendel Trio, diretor da Climate Action Network (CAN) Europe, uma aliança de ONGs ambientais, citado pelo ‘The Guardian’, “a ‘meta de redução de emissões de pelo menos 55% para 2030’ não está de acordo com a ambição do acordo de Paris, de limitar o aumento da temperatura para 1,5°C até ao final do século”.

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O responsável denunciou ainda que o acordo terá sido “apressado pelos legisladores da UE, para trazer alguma coisa para a cimeira dos líderes organizada pelos EUA”. “Definitivamente, este não é o tipo de lei climática que ajudará a UE a liderar os esforços globais para combater as mudanças climáticas”, referiu Trio.

“O acordo de hoje não é uma vitória para a ação climática, é uma farsa”, disse Barbara Mariani, do Gabinete Europeu do Ambiente (EEB). “Estamos perplexos ao ver que o conselho [de estados membros] rejeitou uma proposta de estender a meta de neutralidade climática da UE a todos os estados membros, o que pode gerar falta de responsabilidade a nível nacional e criar uma Europa a duas velocidades na qual alguns países inevitavelmente ficarão para trás”, alertou.

O acordo será agora ajustado por advogados, antes da adoção formal pelos Estados membros.

A Cimeira sobre o Clima, que está a ser organizada pelos Estados Unidos, arranca esta quinta-feira, de forma virtual, e reúne 40 líderes mundiais, entre eles Joe Biden, cujo primeiro ato como presidente foi reintegrar os EUA no acordo climático de Paris.

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