A Organização Mundial de saúde (OMS) não concorda com a proposta europeia da criação de um passaporte de vacinação, para facilitar as viagens por parte daqueles que já receberam a vacina contra a Covid-19.
A posição do organismo internacional, divulgada esta segunda-feira pelo seu Comité de Emergência, alerta que tal medida poderia acentuar a desigualdade entre países, perante a falta de doses pelo mundo e considera que todas as decisões sobre restrições de viagens devem ser tomadas com base na ciência.
Desta forma, o Comité publicou um conjunto de orientações. Uma delas aponta que «não se deve exigir prova de vacinação como condição de entrada, dada a limitada (embora crescente) evidência sobre o desempenho das vacinas na redução da transmissão e a persistente iniquidade na distribuição global de vacinas».
«Os países são fortemente encorajados a reconhecer o potencial das exigências de prova de vacinação como fator que irá aprofundar as desigualdades e afetar a liberdade de circulação», acrescentou o organismo na posição hoje tornada pública.
A UE e outros países, sublinharam que com o passaporte, será possível estabelecer um registo de vacinação que permita o cruzamento de fronteiras de forma livre, bem como acesso a serviços variados. No entanto, a OMS está preocupada com esta ideia.
«As pessoas querem voltar a viajar, por necessidade ou por motivos profissionais. Mas temos de olhar do ponto de vista cientifico e de igualdade», afirmou Soumya Swaminathan, cientista-chefe da agência, esta segunda-feira.
A responsável alertou que, do ponto de vista da ciência, não há garantias de que uma pessoa vacinada não transmita a doença. «Algumas vacinas mostram que podem evitar a disseminação da doença em 70% ou 80%. Mas não dá para garantir que a pessoa não vá ser um risco para outros», disse.














