No domingo à noite, 12 clubes de futebol europeus anunciaram a formação de uma nova competição, a Super Liga Europeia, sofrendo críticas generalizadas de governos, das suas próprias ligas nacionais, federações de futebol, bem como da UEFA e de adeptos de todo o mundo.
A confirmar-se o arranque da competição, esta seria a maior reviravolta na história do futebol europeu, embora a UEFA já tenha afirmado que vai lutar contra o que chamou de «um projeto cínico fundado no interesse de alguns clubes». Saiba agora tudo sobre a proposta, segundo informação divulgada pelo diário The Guardian.
Quem são os 12 membros fundadores’?
Milan, Arsenal, Atlético Madrid, Chelsea, Barcelona, Inter, Juventus, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Real Madrid e Tottenham.
Já alguns dos maiores clubes alemães e franceses disseram que atualmente não estão interessados em fazer parte do projeto. Esses clubes incluem o Bayern de Munique, vencedor da Liga dos Campeões da última época, e o Paris Saint-Germain, o finalista derrotado que enfrentará o Manchester City numa das semifinais da Liga dos Campeões.
Os 12 clubes vão deixar as suas ligas nacionais?
Para já, as equipas esperam poder continuar a jogar nas suas competições nacionais, no entanto, todas as ligas emitiram declarações contundentes, nas quais condenavam os clubes e a ideia de integrar esta nova liga individual.
Quanto dinheiro está envolvido?
Muito, como se pode imaginar. «Os clubes fundadores receberão um montante de 3,5 mil milhões de euros exclusivamente para apoiar os seus planos de investimento em infraestruturas e para compensar o impacto da pandemia de Covid», pode ler-se no comunicado ontem emitido.
«O novo torneio anual proporcionará um crescimento económico significativamente maior, bem como um apoio acrescido ao futebol europeu … e [os pagamentos de solidariedade] deverão ser superiores a 10 mil milhões de euros durante o período de compromisso inicial dos clubes», acrescenta ainda a mesma nota.
Como é que tudo deve funcionar?
A ideia é existirem 20 clubes participantes, com 15 clubes fundadores e um mecanismo de qualificação para que mais cinco equipas se classificassem anualmente com base nas conquistas da época anterior.
Quando é que os jogos são disputados?
O plano prevê jogos a meio da semana com todos os clubes participantes à espera para competir nas suas respetivas ligas nacionais. Haveria dois grupos de 10, a jogar em casa e fora, com os três primeiros de cada grupo a classificar-se automaticamente para os quartos de final.
As equipas que terminaram em quarto e quinto competirão num play-off de duas mãos pelas posições restantes nos quartos de final. Um formato de eliminatória de duas mãos seria usado para chegar à final no fim de maio.
Quando é que vai começar?
Os clubes afirmaram em comunicado que pretendem iniciar a competição em agosto.
E o futebol feminino?
Os clubes afirmaram: «Assim que possível após o início da competição masculina, uma liga feminina correspondente também será lançada, ajudando a avançar e desenvolver o futebol feminino».
Quais as declarações dos organizadores?
Florentino Pérez, presidente do Real Madrid e primeiro presidente da Super Liga, disse: «Vamos ajudar o futebol em todos os níveis e levá-lo ao seu devido lugar no mundo. O futebol é o único desporto global do mundo com mais de quatro mil milhões de fãs e a nossa responsabilidade é responder aos seus desejos».
Os vice-presidentes de Perez serão Joel Glazer do Manchester United e Andrea Agnelli da Juventus. Glazer disse: «Ao reunir os melhores clubes e jogadores do mundo para jogarem uns contra os outros ao longo da época, a Super Liga vai abrir um novo capítulo para o futebol europeu, garantindo competição e instalações de classe mundial, e maior apoio financeiro para uma pirâmide futebolística mais ampla».
Que reações obteve esta ideia?
Gary Neville, o ex-jogador do Manchester United, expressou o seu desgosto com a ideia, resumindo os sentimentos da maioria das pessoas ao dizer: «Estou muito indignado com o Manchester United e o Liverpool. É pura ganância, são impostores. Os donos do Man United, Liverpool, Chelsea e Man City não têm nada a ver com o futebol neste país. São uma piada absoluta», afirmou.













