Covid-19: Marcelo pede mais um esforço. “Caminho que se segue vai ser trabalhoso”

Marcelo alerta para a necessidade de se estar “à altura do desafio” e deixa caminho aberto para confinamentos locais, sublinhando esperar que este seja o último estado de emergência.

Executive Digest

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deixou hoje um apelo no sentido de que seja feito mais um esforço para suplantar a pandemia, deixando aberto o caminho a confinamentos locais e um recado ao Governo no sentido de que “não basta que as pessoas devam ser o centro da justiça, do Direito, das Finanças, da economia, da política – têm de sentir que verdadeiramente o são”.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

“No dia 6 de novembro de 2020 decretei o segundo e mais longo estado de emergência que hoje conhece aquela que desejaria que fosse a sua última renovação até às 23:59 do próximo dia 30 de abril. Durante este segundo estado de emergência, o período mais difícil foi o que se seguiu ao confinamento geral no dia 15 de janeiro: mais de cinco meses de estado de emergência e quase três de confinamento geral. É certo que menos restritivo do que o de há um ano, mas mais intenso, até porque os números atingidos chegaram a colocar-nos na pior situação na Europa e depois no mundo”, lembrou.

“Agora que o desconfinamento deve seguir o seu curso de forma gradual e sensata, importa lembrar o óbvio: primeiro, quando chamados ao heroísmo dos grandes desafios, como neste caso os da vida e da saúde, os portugueses respondem sempre com coragem e solidariedade; segundo, quando a economia e a sociedade sofrem como sofreram e continuam a sofrer, os portugueses encontram caminhos muito difíceis, mas notáveis de sobrevivência, de adaptação, de mudança de vida; terceiro, quando problemas de fornecimento e de avaliação de vacinas parecem, para alguns, obstáculos intransponíveis, a verdade é que cada vez mais vulneráveis dos mais vulneráveis estão já protegidos e isso também ajuda a explicar a essencial redução, e depois estabilização, de internamentos, de cuidados intensivos e de mortos a que assistimos nas últimas semanas, mesmo com R e com o número de casos a subirem com maior mobilidade social; quarto, quando o desconfinamento cria a sensação de alívio definitivo, o caminho que se segue ainda vai ser muito trabalhoso. Antes do mais, vai dar trabalho na pandemia, sobretudo nas áreas em situação mais crítica, mas também na prudência exigida por todo o território para evitar a subida nos números decisivos, que são, ao fim e ao cabo, os da pressão nas estruturas de saúde, números agora estabilizados. Depois vai dar trabalho nos números da economia, embora saibamos que houve indústria, agricultura, algum comércio e serviços que não pararam, como houve o Estado a suportar emprego e rendimentos de muitos portugueses”, pormenorizou.

Marcelo abordou ainda a questão da população. “Mas mais complicado do que os números da economia é a situação das pessoas. Em relação à situação das pessoas, é fundamental ter a noção de que o que ficou e fica nas suas cabeças e nas suas relações com os outros pesa muito: as solidões dramáticas dos mais idosos para quem vai uma palavra especial, os institucionalizados e não institucionalizados, agora que, vacinados, já podem receber visitas e sair; as marcas na vida pessoal, familiar e profissional de todos com crises, desestruturações e frustrações irreversíveis ou de efeitos longos; as desorientações em milhares de estudantes a requererem tempo para digerirem tantos choques; o agravamento na pobreza, nas desigualdades, nas injustiças. A economia demorará a dar os passos da reconstrução, a sociedade demorará muito mais”, acentuou.

E dirigiu uma mensagem bem direta ao Governo e a António Costa. “Se 2020 foi o ano da luta pela vida e pela saúde, 2021 terá de ser o ano do início da reconstrução social, sustentada e justa. É que não basta que as pessoas devam ser o centro da justiça, do Direito, das Finanças, da economia, da política – têm de sentir que verdadeiramente o são.”

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

“Portugueses, quero sobretudo pedir-vos ainda mais um esforço para tornar impossível o termos de voltar atrás; para que o estado de emergência caminhe para o fim; para que o desconfinamento possa prosseguir sempre com a segurança de que o calendário das restrições e os confinamentos locais, se necessários, garantem um verão e um outono diferentes. Estamos a entrar no que desejamos venha a ser o começo da ponta final do período mais difícil desde a gripe espanhola em termos de saúde pública, com mais mortos do que na Grande Guerra ou nas lutas africanas de há 60 ou 50 anos. É a ocasião de recordarmos os que partiram, cuidarmos dos que ainda sofrem, prevenirmos que muitos mais e por muito mais tempo não venham a sofrer e reconstruirmos a vida de todos. É altura para pensarmos mais no futuro com orgulho legítimo de termos estado e estarmos à altura como povo daquilo que foram os grandes desafios da nossa História de quase nove séculos. De termos estado, e de continuarmos a estar, à altura de Portugal”, concluiu.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.