Covid-19: Devemos estar preocupados com os coágulos sanguíneos associados às vacinas da J&J e da AstraZeneca?

Será que devemos estar preocupados com esta situação? Até que ponto nos pode afetar? Que riscos existem exatamente? Conheça agora tudo o que já se sabe até ao momento sobre esta matéria e tire todas as dúvidas. 

Simone Silva

Os reguladores dos Estados Unidos recomendaram a suspensão do uso da vacina contra a Covid-19 da Johnson & Johnson (J&J), enquanto investigam casos de coágulos sanguíneos raros em seis mulheres que foram vacinadas. A J&J também disse que iria interromper o lançamento de sua vacina na Europa.

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Por sua vez, a AstraZeneca já há muito que está ligada a este tipo de situações, com o regulador do Reino Unido a recomendar o seu uso apenas a maiores de 30 anos. Vários países, incluindo Portugal, também suspenderam a mesma vacina para menores de 60 anos.

Mas será que devemos estar preocupados com esta situação? Até que ponto nos pode afetar? Que riscos existem exatamente? Tire aqui as suas dúvidas.

O que está em causa?
Algumas pessoas que tomaram as vacinas AstraZeneca e Johnson & Johnson (J&J) reportaram casos de coagulação extremamente raros, incluindo um tipo de coágulo sanguíneo chamado trombose do seio venoso cerebral (CVST), que foi observada em combinação com níveis baixos de plaquetas sanguíneas, chamada trombocitopenia.

Um comité dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA pretende avaliar os casos ligados à vacina J&J, e a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos irá rever a sua análise.

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Ainda assim, tanto o regulador norte-americano como o europeu já considerou estes efeitos extremamente raros. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) disse que o seu sistema de monitorização recebeu 169 notificações de casos de CVST, ou coágulos em vasos sanguíneos que saem do cérebro, e 53 casos de trombose venosa esplâncnica (SVT), ou coagulação nas veias do abdómen.

Estes números foram identificados num universo de 34 milhões de doses da vacina AstraZeneca administradas no Reino Unido e no Espaço Econômico Europeu nos últimos três meses, o que mostra como são raros.

O comité de segurança da EMA realizou uma revisão de 62 casos de CVST e 24 casos de SVT, dos quais 18 foram fatais. A maioria dos casos ocorreu dentro de duas semanas após a pessoa receber a primeira dose.

Qual o perfil de quem reporta estes efeitos secundários?
No caso de J&J, todos os seis recetores eram mulheres com idades compreendidas entre os 18 e os 48 anos, e os sintomas ocorreram de seis a 13 dias após a vacinação. Da mesma forma, a maioria dos casos reportados na Europa com a AstraZeneca ocorreu em mulheres com menos de 60 anos.

Em ambos os casos, a grade maioria das situações aconteceu dentro de duas semanas após as pessoas receberem a primeira dose de AstraZeneca.

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O que dizem as farmacêuticas?
A J&J refere que está a trabalhar em estreita colaboração com os reguladores e observou que nenhuma relação causal clara foi estabelecida entre os eventos e a sua vacina.

Por sua vez, a AstraZeneca adiantou que estava “a trabalhar para entender estes casos individuais e “possíveis mecanismos que possam explicar estes eventos extremamente raros ”.

O que dizem os reguladores?
O CDC está a recomendar a suspensão do uso da vacina de dose única da J&J “por excesso de cautela” para garantir que os profissionais de saúde estejam cientes dos possíveis efeitos secundários e possam planear o “reconhecimento e gestão adequados”.

Enquanto isso, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido fez a sua recomendação para que uma vacina alternativa à AstraZeneca possa ser usada por pessoas com menos de 30 anos, após avaliar 79 casos de coagulação rara juntamente com plaquetas baixas, que resultaram em 19 mortes.

A EMA ainda não divulgou nenhuma recomendação oficial, sublinhando que a vacina da AstraZeneca (a única para já comercializada na UE) continua a ser segura e que os seus benefícios superam os riscos, embora admita a possibilidade de casos raros, em algumas faixas etárias.

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Que tipos de tratamentos existem? 
Nos Estados Unidos, as autoridades de saúde disseram que o tratamento dos coágulos sanguíneos com possíveis ligações à vacina J&J difere do que pode ser considerado padrão em tais situações.

“Normalmente, um anticoagulante chamado heparina é usado para tratar coágulos sanguíneos”, disseram. “Contudo, neste caso, a administração de heparina pode ser perigosa e tratamentos alternativos precisam de ser ponderados.”

Por outro lado, médicos e cientistas alemães que investigam a coagulação associada às injeções da AstraZeneca recomendaram a administração de elevadas concentrações de heparina, anticorpo monoclonal bloqueador do recetor Fc e imunoglobulina intravenosa.

O que pode causar este problema?
Entre as possíveis causas investigadas estão a possibilidade que a vacina desencadeie um anticorpo incomum em casos raros. Até agora, fatores de risco como idade ou sexo não foram destacados.

Cientistas alemães da Greifswald University concluíram que os casos extremamente raros de coagulação com plaquetas baixas – a que chamam de “trombocitopenia trombótica imunológica induzida por vacina” – são desencadeados por anticorpos encontrados em pacientes afetados após a vacinação com a injeção da AstraZeneca.

Um grupo separado de cientistas noruegueses chegou a conclusões semelhantes – que a vacina da AstraZeneca desencadeou uma resposta imunológica que pode ter levado à coagulação num pequeno número de pessoas.

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Andreas Greinacher, um especialista de Greifswald em respostas imunológicas induzidas por medicamentos, está, como a EMA, em busca de pistas sobre as razões para, em casos raros, as pessoas desenvolverem coágulos e plaquetas baixas depois de receber a vacina, enquanto a grande maioria não o faz.

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