A posição dos eleitores britânicos sobre a União Europeia tem vindo a ser influenciada pela polémica entre Londres e Bruxelas em torno das vacinas contra a Covid-19. Segundo o mais recente estudo da agência Bloomberg, o apoio ao Brexit tem aumentado desde o referendo de 2016, sendo que quase dois terços dos adultos acreditam que estar fora da UE ajudou o programa de vacinação do Reino Unido a ter sucesso.
A pesquisa, conduzida online pela JL Partners, e feita a mais de 2 mil pessoas, avançou também que 67% dos entrevistados disseram que a UE se comportou mesmo de forma “hostil” em relação à Grã-Bretanha na disputa sobre o fornecimento de vacinas. Apenas 13% disseram que o bloco agiu como um “aliado e amigo”.
As conclusões revelam a extensão das consequências do Brexit sobre as relações anglo-europeias, com as tensões sobre o comércio e as vacinas a definirem os primeiros três meses desde que o Reino Unido deixou o mercado único da UE e o regime aduaneiro no final do ano passado.
A pesquisa evidencia que os eleitores começam a mudar de opinião nestes cinco anos de debate sobre o Brexit, sendo que quase um em cada cinco dos que votaram pela permanência na UE em 2016 escolheria agora sair. A mudança de atitude pode ser observada tanto entre os que votaram pela permanência, quanto entre os que optaram pela saída.
Além disso, e de acordo com o mesmo estudo, 62% dos britânicos sentiram que o programa de vacinas do Reino Unido foi inclusive melhor por causa do Brexit, com apenas 11% por cento a considerar que foi pior. De recordar que o Reino Unido optou por não participar do programa de vacinas da UE no ano passado e, em vez disso, procurou fechar acordos mais rápidos com as empresas farmacêuticas por conta própria.
Reconhece-se, no entanto, outro lado nesta história da recém-descoberta independência do Reino Unido sobre a Europa. Nos últimos seis anos, Boris Johnson e outros ativistas pró-Brexit prometeram um futuro brilhante com mais oportunidades de comércio global, mas a verdade é que, assim que o Reino Unido deixou o mercado único e o regime aduaneiro da UE no final de dezembro, as dificuldades para as empresas que comercializam através da fronteira europeia foram imediatos, comprometendo importações e exportações.
Aliás, de acordo com a pesquisa avançada pela Bloomberg, 62% das pessoas acreditam que o comércio do Reino Unido com a UE piorou desde o Brexit e mais de metade dos que votaram pela saída do bloco em 2016 também partilham da mesma opinião. Os eleitores estão, no entanto, divididos sobre se o comércio do Reino Unido com o resto do mundo melhorou: 32% dizem que sim, 30% dizem que não e 38% não sabem.
Com a pandemia, esta separação entre o Reino Unido e a União Europeia tem estado, aos olhos de políticos e eleitores, em segundo plano, com a crise económica e de saúde que assolou o mundo. Mas, para Steve Baker, um ex-ministro do Brexit citado pela Bloomberg, é nesta altura que se começam a estabelecer as futuras divisões políticas na Grã-Bretanha.
A JL Partners entrevistou 2.002 adultos de forma online em toda a Grã-Bretanha, entre os dias 7 e 8 de abril, com uma margem de erro de 2,2%.














