Os certificados de imunidade à Covid-19, que irão conceder um livre-trânsito às pessoas que foram vacinadas, que recuperaram do vírus ou que apresentem teste negativo, podem promover comportamentos de risco, alertaram consultores científicos do Governo do Reino Unido.
Embora o documento de livre-trânsito possa encorajar algumas pessoas a serem vacinadas, os especialistas defendem que outras podem deliberadamente sair para se infetar, com o objetivo de criar imunidade ao vírus e, desta forma, obter um certificado que lhes permita circular de forma mais livre. Os cientistas alertam também para o facto de os certificados, assim como os passaportes de vacinação, poderem incentivar as pessoas a comportamentos de risco, como se não estivessem em risco, descartando as máscaras e ignorando o distanciamento social.
O artigo foi escrito por um grupo de oito psicólogos e cientistas comportamentais, que analisaram os estudos realizados até agora sobre as atitudes e comportamentos prováveis das pessoas, caso os certificados de imunidade sejam adotados.
“Permitir que as pessoas voltem ao trabalho, se reúnam socialmente e cumpram as suas obrigações sobre os cuidados a ter, traz muitos benefícios sociais, emocionais e económicos”, escreveu John Drury, professor de psicologia social da Universidade de Sussex e um dos autores do artigo. “Dependendo de como é aplicada, a certificação sanitária pode incentivar à vacinação, mas tem também potencial para causar estragos”, acrescentou.
Certificados de imunidade: como podem funcionar?
Os cientistas avançam que deve haver um cuidado sobre o comportamento das pessoas, já que a certificação pode induzir a “sensação errada” de não haver qualquer tipo de risco, resultando em comportamentos que aumentam o risco de infeção ou transmissão.
“A certificação de imunidade pode ter um efeito paradoxal sobre os cuidados de saúde, já que as pessoas podem procurar, deliberadamente, infetar-se para obter um certificado”, refere o mesmo artigo.
Este tipo de certificados de saúde não é uma ideia nova, avançam os cientistas. No século XV, o mesmo tipo de passes foram usados para permitir o comércio e as viagens durante a peste negra na Europa, certificando apenas que o portador vinha de uma cidade sem pragas.
Na atual pandemia, Israel já adotou o “passe verde” para permitir que aqueles que são vacinados podem aceder a eventos culturais, enquanto a UE avançou com o “passaporte verde” para permitir que, aqueles que tiveram Covid-19 ou foram vacinados, viajem entre os respetivos Estados-Membros.
Os especialistas alertam, por isso, que os potenciais benefícios dos certificados de imunidade, como permitir que as pessoas compareçam a eventos e viajem com mais liberdade e segurança, precisam de ser considerados num contexto de potenciais perigos. “Mas a natureza e a escala disso permanecem incertas. Como é igualmente incerto que quaisquer danos possam ser mitigados de forma mais eficaz”, concluem os autores.














