Numa altura em que se sabe que Portugal vai receber na quarta-feira as primeiras vacinas da Janssen (Johnson & Johnson) contra a covid-19, importa esclarecer todas as questões sobre este fármaco. Em que consiste? Que riscos tem? Quantas doses são destinadas ao nosso país? Saiba tudo de seguida.
Que tipo de vacina é?
A vacina da Janssen (afiliada da Johnson & Johnson) usa um vetor viral viral, especificamente o adenovírus 26, para ativar o sistema imunológico. Este adenovírus, é um vírus humano, que causa gripes, mas que neste caso foi modificado para ser inócuo.
O que continua a fazer é produzir a proteína spike SARS-CoV-2, que o coronavírus usa para se infiltrar nas células humanas e infetá-las. No caso da vacina, a proteína não infecta, mas ativa as defesas. Este vetor viral é o mesmo em que se baseia a vacina de Oxford/AstraZeneca. Também a Sputnik V, russa, é baseada em adenovírus.
Como decorreu o processo até à aprovação? Qual a sua eficácia?
Os primeiros testes em humanos começaram no verão passado nos Estados Unidos e na Bélgica, com uma pequena amostra, para testar a sua segurança e capacidade de ativar o sistema imunológico. Em setembro, iniciaram outro ensaio já massivo (fase III), em cerca de 12 de países de três continentes com quase 45 mil voluntários.
Ao contrário de outras vacinas, desde o início que os ensaios da Janssen incluíam uma percentagem significativa, cerca de um terço, de pessoas com mais de 65 anos. Paralelamente, a amostra foi alargada para incluir várias centenas de jovens entre os 12 e os 17 anos.
No ensaio global com milhares de participantes, a vacina demonstrou uma eficácia de 66,9% 14 dias após a injeção. A percentagem sobe para 85% quando se trata de evitar que a doença progrida de maneira grave ou crítica. E até 100% de proteção contra a morte.
Quanto à duração da imunidade, ainda não foi estabelecida, mas os primeiros vacinados receberam a injeção em setembro do ano passado. Com esses dados, no dia 11 de março, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) aprovou os resultados e a Comissão Europeia autorizou a sua utilização.
Quais as condições de armazenamento?
As vacinas da Janssen são transportadas congeladas, mantendo-as entre os -25º e -15º podem ser armazenadas durante dois anos. Mas, ao contrário das da Moderna ou Pfizer, também podem ser armazenadas no frigorifico entre 2º e 8º, durando até três meses. A sua distribuição é feita em frascos para injetáveis de cinco doses de 0,5 mililitros cada. Uma vez fora do frigorifico, deve ser administradas no máximo em 12 horas.
Quantas doses vão chegar a Portugal?
Portugal vai receber na quarta-feira um primeiro lote de 30 mil vacinas da Janssen contra a covid-19, o que significa que com a chegada destes fármacos de dose única, o país fica com 1,9 milhões de doses disponíveis para administrar durante o mês de abril, segundo o Público.
O comentador da SIC, Luís Marques Mendes, detalhou ainda no domingo que durante o mês de abril o nosso país vai receber 800 mil doses, 1,2 milhões até ao fim de junho e 4,5 milhões até ao final do ano de 2021. No acordo com a Comissão Europeia, o bloco concordou em adquirir 200 milhões de doses da vacina, com a opção de mais outras 200 adicionais.
Quem vai ser vacinado?
A vacina é licenciada para uso em maiores de 18 anos. O Governo desenhou uma estratégia de vacinação com base nos critérios de idade e doenças associadas. O plano é atualizado periodicamente conforme chegam as vacinas ou surgem problemas como o último da AstraZeneca.
A partir do critério de idade, essa vacina será injetada naqueles que fazem parte da estratégia de vacinação. Esta segunda-feira arranca uma nova fase, abrangendo num primeiro momento pessoas entre os 75 e os 79 anos, e numa fase posterior pessoas a partir dos 74 até aos 50, haverá também um outro fator a ter em conta: determinadas patologias previamente identificadas.
Quais são os riscos?
Como todos os medicamentos, não é recomendado para alérgicos a algum dos seus componentes. De acordo com informações prestadas às autoridades de saúde europeias, a reação adversa local mais frequente foi a dor no local da injeção.
Em relação às reações adversas sistémicas, um terço dos voluntários nos ensaios reportou dores de cabeça, fadiga ou mialgia. 10% também tiveram febre e náuseas. Esses efeitos desaparecem em um ou dois dias.
Na sexta-feira, a EMA anunciou uma investigação sobre quatro casos de trombose em vacinados com a Jansen. Um ocorreu entre participantes de ensaios clínicos e os outros três, tratam-se de americanos que já foram vacinados.













