Marta Temido descarta suspensão total da vacina da AstraZeneca. «Não utilizá-la seria deixar de vacinar mais de 2 milhões de pessoas»

A ministra da saúde, Marta Temido, descartou esta sexta-feira a suspensão total da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca. «Não utilizar esta vacina seria deixar de vacinar mais de duas mil pessoas acima dos 60 anos», disse em declarações aos jornalistas.

Simone Silva

A ministra da saúde, Marta Temido, descartou esta sexta-feira a suspensão total da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca. «Não utilizar esta vacina seria deixar de vacinar mais de dois milhões de pessoas acima dos 60 anos», disse em declarações aos jornalistas.

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«Sabemos que essas pessoas são aquelas que, contraindo Covid-19, têm maior probabilidade de ter doença grave e de ter um efeito fatal e portanto é preciso ter esta ponderação bem presente, e eu como ministra da saúde, aquilo que posso dizer é que a opção pela toma da vacina é a melhor», afirmou ainda.

No que diz respeito ao grupo etário abaixo dos 60 anos (para o qual a vacina em questão está atualmente suspensa), «as nossas autoridades de saúde consideraram que deviam ser mais restritivas e nós como sempre confiamos nos nossos técnicos», ressalvou.

Marta Temido explicou ainda que «a Agência Europeia do Medicamento fez uma orientação geral dizendo que a vacina AstraZeneca continuam a ser segura e eficaz e vale a pena. Depois, considerando uma análise riscos e benefícios em alguns contextos, as autoridades nacionais têm de ver se fazem alguma adaptação ou não».

Questionada sobre como se pode transmitir confiança aos portugueses, numa situação como esta, a ministra responde: «Nós nunca sabemos tudo sobre um fenómeno novo, que é uma doença nova, para o qual a melhor resposta continua a ser a vacinação».

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«Há que assumir falar frontalmente às pessoas que nos estão a ouvir lá em casa, que são cada vez mais cidadãos informados, que sabem fazer escolhas em relação à sua saúde», afirmou sublinhando: «Da mesma forma que lhes pedimos que fiquem em casa, que usem máscara, que se protejam, dizemos aquilo que sabemos sobre esta situação. A vacina é segura e é eficaz», concluiu.

Recorde-se que ontem as autoridades de saúde portuguesas determinaram a a suspensão da vacina da AstraZeneca a menores de 60 anos. Em causa está a confirmação avançada na quarta-feira por parte da Agência Europeia do Medicamento (EMA), de uma «possível ligação» entre a vacina AstraZeneca e os casos incomuns de coagulação sanguínea relatados em algumas pessoas que receberam a vacina. Ainda assim, o regulador mantém uma avaliação positiva sobre o seu benefício, sublinhando que supera os riscos.

De acordo com o regulador europeu, estes casos muito raros de coágulos de sangue ocorreram, principalmente, em mulheres com menos de 60 anos de idade no prazo de duas semanas após a vacinação, embora não se tenha chegado a qualquer conclusão sobre fatores de risco específicos.

Portugal segue exemplo de vários países

A revelação da EMA levou vários países, a nível global, a impor limites suspendendo a vacinação com a AstraZeneca em determinadas faixas etárias, restringindo o seu uso apenas aos mais velhos, tal como aconteceu em Portugal.

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É o caso de Espanha que anunciou que vai continuar a administrar a vacina, mas apenas à população com mais de 60 anos, a mesma medida vai ser adotada pela Alemanha, Países Baixos, Itália, Estónia, Filipinas e Austrália. Outros países europeus tomaram medidas semelhantes, França e Bélgica decidiram destinar a vacina da AstraZeneca a pessoas com 55 anos ou mais. Já a Dinamarca anunciou que vai deixar de administrar a vacina.

Antes de serem conhecidos estes dados, a Coreia do Sul e o Canadá já tinham suspendido a vacinação com AstraZeneca a pessoas com menos de 60 e 55 anos, respetivamente, e a Finlândia e a Suécia estão a administrar a vacina desde o final de março apenas à população com mais de 65 anos.

A Alemanha também limitou, no final do mês de março, o uso da injeção a pessoas com mais de 60 anos e grupos de alta prioridade, após relatos de um raro distúrbio no sangue cerebral. A 1 de abril, a comissão de vacinas da Alemanha recomendou que as pessoas com menos de 60 anos que receberam a primeira injeção da vacina da AstraZeneca recebessem um produto diferente para a segunda dose.

Na quarta-feira, o Regulador britânico assumiu pela primeira vez os efeitos adversos causados pela vacina da universidade de Oxford e recomendou que a maioria das pessoas com menos de 30 anos deve receber uma vacina alternativa à da AstraZeneca, «sempre que possível».

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