Índice de transmissão está «estável», «abaixo de 1» e «não é preocupante», garante especialista

Milton Severo, investigador do ISPUP revela que apesar das notícias dos últimos dias que apontam para um índice de transmissão acima de 1, segundo os seus cálculos (que incluem já os dados de ontem) isso ainda não se verificou.

Simone Silva

Milton Severo, investigador do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), revela à Executive Digest, que apesar das notícias dos últimos dias darem conta de um índice de transmissão (o chamado Rt) acima de 1, segundo os cálculos do ISPUP (que incluem já os dados de ontem) isso ainda não se verificou.

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«O Rt ainda não está acima de 1, pelo menos nos cálculos do ISPUP», afirma o especialista sublinhando que o valor a nível nacional atualmente é de 0,95, «sendo que o intervalo de confiança está entre 0,92 e 0,97, o que significa que está muito perto de 1, mas ainda não atingiu esse valor».

Ainda assim, Milton Severo sublinha que «claro que estando tão próximo de 1, significa que há regiões que estão acima e outras que estão abaixo, temos Lisboa e Vale do Tejo que estabilizou com um Rt de 0,99, assim como o Alentejo, mas temos por exemplo o Algarve que está acima de 1», adianta. «Esta média global das diferentes regiões faz com que o nacional se fixe em 0,95», esclarece.

Números sem impacto no desconfinamento

O investigador do ISPUP explica que «estando a incidência tão baixa, como está agora, chega a uma altura que não é possível baixar mais e portanto, mesmo que o 1 seja atingido, a questão é: Terá implicações no desconfinamento»?, questiona.

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«Para incidências baixas, nós não usamos o Rt», isto porque, explica, quando (a incidência) está muito em baixo mesmo que o índice suba para cima de 1 não é preocupante, não altera nada em particular», adianta. «Podemos ter uma nota de aviso, saber que está a crescer, ou neste caso está estável, mas é possível manter estes números atuais que são perfeitamente comportáveis com o desconfinamento», considera o responsável.

Para o especialista «o Rt é importante para um primeiro alarme, não é para parar nada, a não ser que passe para 1,05 como no Natal, aí sim, mas para já estamos muito longe de isso acontecer», reitera. «Temos regiões que estão a baixar ainda, como o Centro, os Açores e a Madeira, e a média global está relativamente controlada por isso eu não prevejo, que seja necessário alterar alguma coisa do plano atual de desconfinamento», conclui.

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