Um grupo de mais de 100 cientistas e profissionais de saúde espanhóis escreveu uma carta ao Governo e autoridades de saúde, na qual alerta para o aumento de infeções em espaços fechados, devido à falta de ventilação dos mesmos, segundo o ‘El Pais’.
“Apesar da clareza das conclusões científicas, a implementação destas medidas (de ventilação) está a ser extraordinariamente lenta e muitas vezes é efetuada de forma parcial ou incorreta”, começam por referir no documento a que jornal teve acesso.
Os signatários da carta sublinham a importância do combate ao contágio produzido pela inalação de partículas virais transportadas pelo ar (aerossóis), uma das três possíveis vias de infeção por coronavírus reconhecidas pela ciência, em conjunto com o contato direto com as gotículas produzidas por superfícies contaminadas, que ainda assim é menos provável.
“Dada a gravidade da situação, consideramos urgente aproveitar os conhecimentos disponíveis e promover junto das administrações as medidas de prevenção necessárias para reduzir o risco de contágio de COVID-19 por inalação. Estamos convencidos de que os benefícios serão enormes”, adiantam.
O texto é assinado por nomes importantes do panorama da virologia e da medicina em Espanha, como Adolfo García Sastre (diretor do Instituto de Saúde Global e Patógenos Emergentes), Antonio Alcamí e Margarita del Val (do Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa), Julio Cobo (diretor de Emergências Médicas do Hospital La Paz), entre muitos outros.
Estes cientistas propõem uma série de medidas, centradas em oito linhas de ação que devem ser postas em prática “o mais rápido possível”. “Acreditamos que ainda há tempo para garantir uma implementação generalizada das medidas de prevenção disponíveis”, afirmam os signatários.
A carta concentra-se nas evidências científicas que apontam para o importante papel que os aerossóis, as partículas com vírus que permanecem em suspensão e podem ser inaladas por outra pessoa, desempenham no contágio.
Para combater este método de infeção, é necessário usar máscaras, manter a distância física e ventilar ao máximo os espaços fechados, mas há aspetos importantes que não são aplicados pelas autoridades nem explicados detalhadamente à população para que se possam proteger, segundo os signatários.
A primeira das ações centra-se no uso de máscaras, totalmente adotadas pela população, mas apontam algumas ressalvas: o afastamento necessário dos que não cumprem, a necessidade de exigi-las no ambiente de trabalho e a conscientização sobre o perigo da colocação incorreta, deixando muitas lacunas ao ajustá-las.
Além disso, especialistas preconizam uma incidência maior na ventilação interna, para que esta seja feita de forma contínua. Como complemento, visam duas tecnologias: por um lado, dispõem de CO₂ medidores, que permitem saber se um local está bem ventilado. Por outro lado, estão disponíveis várias tecnologias de purificação do ar.
Para além destas questões especificas, os especialistas pedem ainda que exista uma “comunicação eficaz” das medidas básicas de prevenção da doença viral. “É fundamental que a população compreenda a lógica das regras e seja capaz de raciocinar qual é o comportamento ideal em cada situação” para que se possam proteger, apelam.














