O uso permanente de máscaras por parte dos cuidadores e professores pode causar atrasos no desenvolvimento dos bebés, que passam muitas horas em creches e berçários. O alerta é dado por especialistas citados pelo ‘Público’.
«Os bebés, que grosso modo nascem com 25% do cérebro desenvolvido, fazem um milhão de sinapses por segundo no primeiro ano de vida. É um ritmo alucinante, que depende muito da interação com os adultos de referência», começa por explicar a psicóloga do desenvolvimento Clementina Almeida.
Isto significa, que «se passam a maior parte das horas do dia com adultos que usam máscaras que lhes escondem o rosto, é como se os bebés ficassem privados de parte da informação, e o seu desenvolvimento de base é necessariamente afetado», alerta citada pelo ‘Público’.
Clementina Almeida já começa a notar alguns atrasos em bebés devido a este problema, motivo pelo qual urge discutir «medidas compensatórias» do impacto que o uso de máscaras em adultos tem nos mais novos. «A Direcção-Geral da Saúde devia alterar a sua recomendação para o uso de máscaras transparentes, que permite às crianças ver o rosto das educadoras e auxiliares», defende.
Por sua vez, Susana Baptista, presidente da Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos de Ensino Particular, confirma que «as educadoras acusam esta dificuldade em fazerem-se entender pelas crianças que estão a aprender a articular e que repetem mal as palavras», refere ao mesmo jornal.
«Às vezes, as educadoras optam por se afastar um bocadinho para poderem retirar a máscara e, em termos de aquisição da linguagem, isso faz toda a diferença», acrescenta a responsável. No caso dos bebés, as dificuldades mantêm-se. «Os bebés aprendem lendo o nosso rosto e, se este estiver tapado, a informação não verbal raramente passa», explica.
Clementina almeida complementa ainda a visão de Susana Baptista. «O crescimento cerebral do bebé nos primeiros meses de vida ocorre por via daquilo a que se chama o sistema de dar e receber», afirma.
«O bebé faz uma expressão e o adulto responde com essa mesma expressão e esta ‘dança’ entre eles é feita com base nos neurónios espelho, que vão espelhando a nossa expressão e o afeto associado. Ora se quem cuida dos bebés, nomeadamente nas creches onde estes chegam a estar dez ou 12 horas, está sempre com máscara, o bebé fica com o seu cérebro limitado neste tipo de interação», explica a especialista.














