Esta segunda-feira é o Dia Mundial da Água. Apesar de vivermos “num mundo de tão profunda inovação”, milhares de milhões de pessoas continuam sem acesso a este bem indispensável e vital, alerta a Organização das Nações Unidas (ONU).
Já passou mais de um ano desde que a covid-19 foi declarada uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde. Entretanto, muitos países já estão numa situação melhor, à medida que as campanhas de vacinação aceleram, mas grande parte do planeta continua sem acesso a água potável.
Numa reunião da Organização das Nações Unidas, na semana passada, sobre os objetivos e metas relacionados com a água como parte da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável de 2030, o presidente da Assembleia Geral da ONU, Volkan Bozkir, disse que, neste momento, o mundo cometeu um “fracasso moral” em conseguir que todos tenham acesso a água potável segura.
Segundo o responsável, cerca de um terço de toda a população mundial – 2,2 mil milhões de pessoas – não tem acesso a água potável, uma estatística que considerou “assustadora”.
Além disso, de acordo com Volkan Bozkir, milhares de milhões de pessoas também não têm acesso a recursos de saneamento adequados. Mais de 2 mil milhões não têm “instalações sanitárias próprias decentes”, e 3 mil milhões não têm “instalações básicas para lavar as mãos”.
Os dados citados pelo presidente da Assembleia Geral da ONU dizem respeito a um relatório da UNICEF e da Organização Mundial da Saúde de 2019.
“Se me permitem ser franco: é um fracasso moral que vivamos num mundo com níveis tão elevados de inovação técnica e sucesso, mas continuamos a permitir que milhares de milhões de pessoas existam sem água potável ou sem as ferramentas básicas para lavar as mãos”, denunciou Bozkir.
De acordo com os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, a maioria das pessoas afetadas por esta falta de recursos encontra-se nas zonas rurais. Se os líderes não conseguirem tornar as medidas de água e saneamento mais acessíveis aos milhares de milhões de pessoas afetadas, “a covid-19 não será travada”, alerta a ONU.
“É impossível conciliar que milhares de milhões de pessoas têm de enfrentar esta pandemia sem as instalações básicas para poderem lavar as mãos, e que os serviços de saúde em alguns dos países menos desenvolvidos não têm água corrente”, disse Bozkir. A situação agrava-se “especialmente quando vivemos num mundo de tanta abundância e de tão profunda inovação”.
A falta de água e de saneamento é fatal, mesmo sem a pandemia. Quase 1000 crianças morrem todos os dias devido a doenças que se desenvolvem por falta destes recursos, de acordo com a Organização das Nações Unidas.
A agenda da ONU estabeleceu oito objetivos para retificar a situação. Além de estabelecer água potável universal e equitativa, saneamento e higiene, a organização pretende melhorar a qualidade da água através de medidas ambientais, aumentar a eficiência do uso da água, estabelecer um plano de gestão integrada dos recursos hídricos, proteger os ecossistemas aquáticos, expandir a cooperação interna, e reforçar o apoio nas comunidades.
“Água é vida”, disse ainda Bozkir. “Não podemos simplesmente viver neste planeta – e certamente não em nenhuma capacidade saudável – se formos privados desta necessidade humana mais básica. Todo o nosso sistema agrícola – todos os alimentos que consumimos – está dependente do abastecimento de água. O mesmo se aplica a toda a outra vida neste planeta. Cada ecossistema, cada espécie, depende da água”, concluiu.














