A diretora do Serviço de Infeciologia do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, Maria João Brito, alertou esta quinta-feira para uma transmissão «vertiginosa» da Covid-19, sobretudo entre os alunos mais velhos, do ensino secundário e superior, muito impulsionada pela nova variante britânica.
Em declarações à ‘Antena 1’, a responsável indica que existe uma «franja muito grande de jovens, jovens adultos e adolescentes que nesta altura estão assintomáticos, mas que transmitem a infeção muito rapidamente dentro das suas famílias e dos sítios por onde passam».
«Nesta altura a situação da transmissão é extremamente elevada no grupo dos jovens que andam nos liceus ou universidades, porque estão infetados, com cargas virais muitas vezes muito elevadas e não têm sintomas», afirma a responsável à estação de rádio.
Maria João Brito explica que «a transmissão não é igual em todos os grupos etários, os mais velhos nesta altura são uma forte fonte de transmissão na comunidade. Temos pessoas destas idades infetadas com cargas virais muitíssimo elevadas, como nunca vimos antes», refere acrescentando: «A estirpe britânica entrou no nosso país e está a transmitir-se de forma vertiginosa».
«Claro que à medida que aumentam o número de casos, aumentam também as formas graves, que são raras, mas que nesta altura estão a aparecer em maior número do que aqueles que já tivemos», alerta ainda a especialista.
Situações como a do síndrome multissistémico da criança, que aconteciam «uma vez por mês em março», estão agora a tornar-se mais frequentes. «Nesta altura internamos quatro (crianças) ao mesmo tempo», adianta sublinhando que existem «outras situações, o retrato não é animador e isso não seria de esperar numa altura destas, tão caótica», ressalva.
Para interromper as cadeias de transmissão a responsável refere que «é preciso fazer um confinamento muito mais duro, como em março e as pessoas têm de ficar em casa, não basta fechar escolas e universidades., é preciso ficar em casa», sublinha à ‘Antena 1’.











