Portugal assume a Presidência da União Europeia no próximo mês e o digital deverá ser uma das bandeiras do seu mandato. Um documento a que o Politico teve acesso mostra que Portugal pretende apelar à criação de um plano de investimento pan-europeu tendo em vista o desenvolvimento de uma rede de cabos submarinos que ajudariam a modernizar e melhorar as infra-estruturas digitais da comunidade.
No documento, este tipo de investimento é descrito como um “pilar em falta” da estratégia da Europa. “O potencial da Europa para se tornar um gestor de dados global e um fornecedor de serviços digitais para o resto do Mundo arrisca-se a continuar amplamente desperdiçado”, indica o Governo português.
O Politico adianta que Portugal soma já o apoio de vários países da UE, interessados em reforçar a ligação entre a Europa e outros continentes. Este é, porém, apenas um rascunho do que poderá vir a ser um plano abrangente, com divulgação prevista para Março do próximo ano.
A mesma publicação sublinha que o problema não reside somente na qualidade ou dimensão da rede de cabos submarinos, mas também na sua gestão e supervisão. Grandes potências como os EUA, China ou Rússia têm entrado em conflito precisamente sobre o controlo de cabos deste tipo.
Um diplomata português envolvido na proposta da Presidência Portuguesa mostra-se preocupado com o problema: «Nem a Comissão Europeia, nem nós, nem outros Estados-membros têm qualquer ideia sobre a quantidade de dados que circula por estes cabos», indica o responsável em declarações ao Politico.
Para clarificar todas estas questões, é proposta a construção de uma estratégia europeia que inclui o mapeamento dos dados, uma listagem dos sistemas de cabos que precisam de substituição na próxima década e um plano para lidar com riscos de segurança e dependência.




