Desmancha-prazeres económico? O “Senhor 5 Triliões” antevê um 2021 sombrio

Nos dias de hoje, os líderes no Japão, nos EUA, na Europa e em grande parte da Ásia abdicaram das responsabilidades para com os bancos centrais.

Sónia Bexiga

Mesmo correndo o risco de ser um ‘desmancha-prazeres económico’, principalmente quando atravessamos uma pandemia global, mas Haruhiko Kuroda chamou a si o momento de acordar o mundo para uma recuperação que simplesmente não está a acontecer. E com a legitimidade de quem administra a terceira maior economia como governador do Banco do Japão (BOJ).

Nos dias de hoje, os líderes no Japão, nos EUA, na Europa e em grande parte da Ásia abdicaram das responsabilidades para com os bancos centrais não eleitos para orientar os “ziguezagues económicos”. No caso de Kuroda, este ‘evoluir, transformou-se num presente envenenado.



Sob sua supervisão desde 2013, Kuroda, “fez mais do que qualquer autoridade monetária na história moderna para estabilizar o crescimento: dominou o mercado de títulos, fartou-se de dívidas corporativas, confiscou o mercado de ações acumulando fundos negociados em bolsa e comprou todos os ativos financeiros ao seu alcance”, noticia a Forbes.

No final de 2018, o balanço patrimonial do BOJ ultrapassou os 5 triliões de dólares do PIB (produto interno bruto) anual do Japão. O BOJ manteve as taxas em, ou perto de, zero por 21 anos. As chances de normalização da política de taxas nos próximos 20 anos não são grandes.

E, no entanto, a equipa de Kuroda avisa agora que dias ainda mais voláteis estão por vir, à medida que a evolução da pandemia da Covid-19 prejudica ainda mais o crescimento em todos os lugares e destabiliza os mercados.

O BOJ já reviu a sua projeção até março para uma contração de 5,5%, sendo que a previsão anterior era de 4,7%. O que é , por si só, é um mau presságio para a economia global.

E esta visão assenta no cenário de um Japão que fez um trabalho de sucesso para conter o coronavírus. A nação de 126 milhões de pessoas tem pouco mais de  100.000 casos  e menos de 1.800 mortes.

No entanto, a evolução global está a afetar os motores de crescimento do Japão. Isto, num momento em que a Europa está a viver a segunda vaga da Covid-19 e os Estados Unidos estão a sofrer maior pressão das novas infeções, o que significa que a economia global não pode esperar muito o G7 no próximo ano.

Mesmo que a China termine 2020 a crescer na faixa dos 2%, porque qualquer impulso de crescimento ficará aquém do que é necessário para fazer uma diferença apreciável na trajetória de crescimento global.

Contudo, o ‘red alert’ vem dos lados de Washington. A corrida para as eleições da próxima terça-feira distraiu a Casa Branca e os legisladores da necessidade de estabilizar e estimular a maior economia do mundo.

Esta equipa, a partir do Japão, aponta que é quase certo que as coisas vão piorar. Se o presidente Donald Trump for derrotado, passará 78 dias, até deixar a Casa Branca, a boicotar a economia. Se Trump vencer, provavelmente não haverá muita urgência em avançar com estímulos. Os efeitos de feedback negativo certamente prejudicarão o Japão também.

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