A região da Lombardia, no norte da Itália, vai impor a partir da próxima quinta-feira o toque de recolher obrigatório das 23 às 5 horas da manhã para conter o número de infeções, que disparou nas últimas semanas e está a causar problemas no serviço de saúde, avança o ‘La Vanguardia’.
O Presidente da região, Attilio Fontana, explicou que os autarcas solicitaram este tipo de medida para evitar o aumento das infeções. «Decidimos emitir uma cláusula que determina que das 23h00 às 5h00 as atividades sejam encerradas e as pessoas estejam em casa».
Desta forma, «exceto em casos de emergência, trabalho ou saúde, (as pessoas) não vão poder circular pelas ruas da Lombardia (neste período) para tentar impedir uma das causas do contágio: os encontros noturnos, as festas e tudo o que não conseguimos controlar porque não temos um número suficiente de agentes policiais», acrescentou Fontana.
O responsável disse ainda que foi solicitada autorização ao Governo para aplicar a medida. O ministro da Saúde, Roberto Speranza, já anunciou que o governo vai aprovar. «Concordo com a hipótese de medidas mais restritivas na Lombardia e trabalharemos juntos para alcançá-la nas próximas horas», afirmou.
Fontana acrescentou também que «as projeções dos especialistas sobre a evolução do vírus na região se confirmaram e nos convidam a ser muito cautelosos e a temer que dentro de 15 dias, ou seja, até ao final do mês, tenhamos uma situação que, ainda não será um colapso nos hospitais, mas será um desafio».
Madrid pode seguir o mesmo caminho
A região de Madrid está a estudar a possibilidade de pedir ao Governo central espanhol que declare o recolher obrigatório para garantir que não há deslocações em determinadas horas do dia.
O responsável pela Saúde da comunidade autónoma de Madrid, Enrique Ruiz Escudero, disse esta manhã num encontro organizado pela agência Europa Press que esta possibilidade tem sido discutida internamente no seu departamento.
«Nesta situação em que vivemos com a pandemia, qualquer opção que envolva restrição de atividade ou de mobilidade deve ser estudada», salientou.
Enrique Ruiz explicou que esta comunidade autónoma não tem autoridade jurídica para adotar esta medida excecional, que é da responsabilidade do Governo e que, na sua opinião, «não seria aplicável apenas em Madrid, mas em toda a Espanha». «É uma decisão que não vemos com maus olhos», acrescentou o responsável.
O Ministério da Saúde espanhola vai reunir-se na quarta-feira com os responsáveis pela saúde das comunidades autónomas, que têm competências para tomar decisões nesta área, esperando-se que do encontro saia algum tipo de indicação comum.
França e Bélgica já adotaram a medida em várias cidades
O Presidente Francês, Emmanuel Macron, anunciou na semana passada a aplicação do recolher obrigatório em nove regiões. Um medida que entrou em vigor no passado sábado e pode vir a durar até seis semanas, até dia 01 de dezembro.».
«O nosso objetivo é reduzir os contactos privados, ou seja, quando estamos mais à vontade. Vamos estar com pessoas que não fazem parte do nosso círculo familiar. É quando estamos mais próximos que há mais risco, portanto o recolher obrigatório é pertinente», afirmou o Presidente.
O recolher obrigatório foi instaurado entre as 21:00 e as 06:00 na região de île de France (região parisiense), Lille, Ruão, Saint-Etienne, Toulouse, Lyon, Grenoble, Aix-en-Provence e Montpellier.
A Bélgica seguiu o mesmo caminho e decretou na passada sexta-feira o recolher obrigatório em todo o território – entre as 00h e as 5h – e o encerramento de bares e restaurantes, para combater o que qualificou de “aumento exponencial” dos casos de Covid-19.
Referindo que “os números são alarmantes e significativamente mais elevados do que em março e em abril”, altura em que foram tomadas “medidas duras”, o primeiro-ministro, Alexander de Croo, referiu que a missão do governo belga é a de “fazer baixar esses números”.
Segundo dados divulgados esta sexta-feira, a Bélgica registou, entre os dias 6 e 12 de outubro, uma média diária de 5.976 novas infeções, um aumento de 96% relativamente à semana anterior, para um total de 191.959 casos desde o início da pandemia e um balanço de 10.327 mortes.














