Faltas por doença nos hospitais do SNS aumentaram 64% durante pandemia

Médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, assistentes operacionais e restantes profissionais dos hospitais públicos, faltaram mais 467 mil dias nos primeiros seis meses de pandemia, do que em igual período do ano passado.

Revista de Imprensa

As faltas por doença dos trabalhadores dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) aumentaram 64% entre março e agosto, face ao mesmo período de 2019, segundo um estudo da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), citado pelo ‘Público’.

Médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, assistentes operacionais e restantes profissionais dos hospitais públicos, faltaram mais 467 mil dias nos primeiros seis meses de pandemia, do que em igual período do ano passado, adianta o mesmo jornal.



As faltas em geral, incluindo ausências por doença, por acidente, para ficar em casa com os filhos e injustificadas, também subiram 38% (mais 620 mil dias) em relação ao mesmo período do ano passado, agravando uma taxa de absentismo no sector que oscilou entre 10,1% e 10,9% nos hospitais do SNS entre 2014 e 2017.

“No limite, temos hoje menos pessoas a trabalhar” nos hospitais do SNS, apesar do reforço de recursos humanos anunciado pelo Governo para dar resposta à pandemia, sustenta o presidente da APAH, Alexandre Lourenço, ao ‘Público’. O responsável lembra que atualmente os profissionais de saúde têm que “fazer um duplo trabalho [tratar os doentes com covid-19 e os outros]” e “a produtividade diminuiu” devido à necessidade de testagem e de desinfecção.

O presidente da APAH adianta ainda que os profissionais começam a ficar muito afectados por aquilo que se designa como a “percepção da desconsideração”, que conduz à desmotivação e ao ‘burnout’. “Muitos já não estão dispostos a fazer o que fizeram na primeira vaga”, altura em que houve muito voluntarismo, diz.

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