As faltas por doença dos trabalhadores dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) aumentaram 64% entre março e agosto, face ao mesmo período de 2019, segundo um estudo da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), citado pelo ‘Público’.
Médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, assistentes operacionais e restantes profissionais dos hospitais públicos, faltaram mais 467 mil dias nos primeiros seis meses de pandemia, do que em igual período do ano passado, adianta o mesmo jornal.
As faltas em geral, incluindo ausências por doença, por acidente, para ficar em casa com os filhos e injustificadas, também subiram 38% (mais 620 mil dias) em relação ao mesmo período do ano passado, agravando uma taxa de absentismo no sector que oscilou entre 10,1% e 10,9% nos hospitais do SNS entre 2014 e 2017.
“No limite, temos hoje menos pessoas a trabalhar” nos hospitais do SNS, apesar do reforço de recursos humanos anunciado pelo Governo para dar resposta à pandemia, sustenta o presidente da APAH, Alexandre Lourenço, ao ‘Público’. O responsável lembra que atualmente os profissionais de saúde têm que “fazer um duplo trabalho [tratar os doentes com covid-19 e os outros]” e “a produtividade diminuiu” devido à necessidade de testagem e de desinfecção.
O presidente da APAH adianta ainda que os profissionais começam a ficar muito afectados por aquilo que se designa como a “percepção da desconsideração”, que conduz à desmotivação e ao ‘burnout’. “Muitos já não estão dispostos a fazer o que fizeram na primeira vaga”, altura em que houve muito voluntarismo, diz.











