Confinamento não ‘castigou’ todos por igual. A quem mais pesou o isolamento?

Depois de analisar os testemunhos de 2.055 pessoas, os investigadores descobriram que quem viveu o confinamento como uma experiência desagradável foram principalmente mulheres, adolescentes e solteiros.

Simone Silva

As mulheres, os solteiros e os adolescentes foram as pessoas que pior viveram o confinamento imposto pela epidemia da Covid-19, segundo um estudo do Departamento de Psicologia da Universidade Rovira i Virgili (URV) de Tarragona, citado pelo ‘La Vanguardia’.

O estudo teve como objetivo conhecer as variáveis ​​pessoais sociodemográficas e psicológicas que podem influenciar uma melhor e pior adaptação à experiência de estar fechado em casa, para ajudar a conceber ações preventivas para a população mais vulnerável.



Depois de analisar os testemunhos de 2.055 pessoas, os investigadores descobriram que quem viveu o confinamento como uma experiência desagradável foram principalmente mulheres, adolescentes e jovens, bem como aqueles que moravam sozinhos e os que tinham medo de perder o emprego.

A equipa descobriu que as mulheres sofrem mais devido ao stress do que os homens, um problema que, «embora não tenhamos estudado, pode ser motivado em parte, por problemas de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal», explicou Fàbia Morales, que liderou a investigação, citada pelo jornal espanhol.

Segundo o estudo, as pessoas com medo de perder o emprego passaram uma quarentena pior do que as que já o tinham perdido, o que sugere que a incerteza em relação ao próprio trabalho dificulta a adaptação a uma situação de confinamento.

Os mais velhos adaptaram-se melhor do que os mais novos mas, por outro lado, vivenciaram a situação com mais preocupação porque «para os adolescentes e jovens a socialização é mais central e para os mais velhos é a família», de acordo com Morales.

A pesquisa também conclui que o confinamento foi uma experiência menos negativa para as pessoas que vivem com um companheiro, do que para as que moram sozinhas ou mantêm um relacionamento, mas não ficaram confinadas em conjunto.

Para além das variáveis ​​sociodemográficas, os investigadores observaram que as características psicológicas das pessoas têm atuado como fatores de proteção para a estabilidade emocional, nomeadamente resiliência em situações adversas, autoestima e otimismo.

A equipa descobriu ainda que os extrovertidos se adaptaram melhor ao confinamento. «Achávamos que a necessidade de socialização dos mais extrovertidos seria um fator que os faria viver a experiência de forma mais negativa, mas na realidade são os mais resilientes», explicou Morales.

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