Reino Unido está a ficar sem tempo: 20 problemas do Brexit ainda por resolver

Com o período de transição quase a terminar, ainda são muitas as dúvidas que pairam no ar relativamente à saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

Executive Digest

Com o período de transição quase a terminar, ainda são muitas as dúvidas que pairam no ar relativamente à saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Quais serão os moldes das trocas comerciais? Como se processará a circulação de pessoas? Paga-se roaming?

Por outro lado, há também questões para as quais já há resposta, mas que podem representar um problema – especialmente para quem está habituado a viajar ou fazer negócios sem muitas regras. É o caso do aumento da burocracia e do número de documentos necessários para empresas exportadoras, por exemplo.



Segundo o jornal Independent, as dúvidas que ainda restam serão resolvidas através de política. Cabe aos governantes sentarem-se à mesa e tentarem pôr fim às ameaças e aos conflitos, especialmente no que concerne taxas e quotas. A mesma publicação reuniu os 20 aspectos do Brexit que ainda carecem de solução e que podem resultar em problemas sérios a longo prazo:

1 – O ministro britânico Michael Gove já alertou que é provável que as filas de camiões para passar a fronteira cheguem aos 7 mil veículos já a partir de 1 de Janeiro. Nesse sentido, é necessário empregar mais de 5 mil profissionais alfandegários;

2 – É necessária uma autorização especial ou passaporte para que os camiões possam passar a fronteira de Kent, junto ao Canal da Mancha;

3 – Os fabricantes automóveis britânicos enfrentarão taxas sobre os componentes importados de fora da União Europeia, fazendo com que os seus veículos se tornem mais caros;

4 – A indústria química considera que deixar o sistema regulatório da UE dificultará e aumentará o preço da produção de produtos químicos, plásticos, cosméticos, detergentes, entre outros, no Reino Unido. Estas empresas acreditam que é má ideia criar um sistema próprio;

5 – Dados reportados ontem pela EY indicam que 7.500 postos de trabalho na área financeira foram realocados para capitais da UE. Só a JP Morgan já anunciou a transferência de 200 profissionais para Frankfurt, transformando-se no sexto maior banco da Alemanha. Tendo em conta que os trabalhadores de serviços financeiros constituem a maior categoria de contribuintes, este é um problema por resolver;

6 – As empresas não podem começar a imprimir catálogos para a próxima Primavera porque não sabem que preços irão pagar por componentes importados. Também não podem imprimir rótulos porque não sabem que informação colocar. Certo é que perderão o selo de qualidade da UE;

7 – John Sawyer, antigo responsável do MI6, e Julian King, ex-comissário da UE, expressaram publicamente preocupação com a segurança do Reino Unido. Isto porque a região perderá acesso às bases de dados que dão conta do ADN de criminosos e terroristas, por exemplo;

8 – Até à data, o Reino Unido recusou-se a aceitar as regras de transferência de dados da UE, criadas para garantir a privacidades da população. Caso este conflito se mantenha, a teoria diz que todas as trocas de dados com o Reino Unido que possam ser transferidas para os EUA serão ilegais e bloqueadas;

9 – O número de formulários que as empresas exportadoras na área da alimentação precisam de preencher irá aumentar cinco vezes. Exportações de carne de vaca e borrego, entre outras, serão também dificultadas pela falta de veterinários;

10 – Foi dito às exportadoras para que recrutem 60 mil novos funcionários especializados em burocracia para ajudarem a preencher os novos formulários. Trata-se de um número aproximado àquele que compõe o exército britânico, indica o Independent, sendo que ficam ainda a faltar os agentes alfandegários que terão de ser contratados;

11 – Só a cidade de Londres poderá perder 350 mil passaportes da UE, que permitem que empresas e indivíduos do sector financeiro façam negócio em 27 Estados-membros;

12 – Cresce o número de obstáculos para empresas que queiram contratar trabalhadores da União Europeia para sectores como hotelaria, transportes, apanha de fruta ou construção, mesmo que o objectivo seja compensar a falta de mão de obra no Reino Unido;

13 – Será necessário ter uma carta de condução internacional para que os cidadãos britânicos possam viajar de carro na União Europeia;

14 – Os donos de animais terão de passar pelo veterinário antes de levar os seus cães ou gatos para o continente. São necessárias vacinas, análises e documentos especiais;

15 – O Cartão Europeu de Seguro de Doença (CESD) deixará de poder ser utilizado pelos cidadãos britânicos que viagem em negócios ou lazer. No mesmo sentido, também os cidadãos dos Estados-membros de passagem pelo Reino Unido perderão esse benefício;

16 – As contas bancárias de britânicos a viver em França, Espanha e Grécia serão fechadas, uma vez que instituições como Lloyds e Barclays já afirmaram que é muito caro criar entidades independentes para garantir o cumprimento das novas regras;

17 – O Reino Unido assinou um acordo de comércio livre com o Japão, que impõe regras mais rígidas relativamente ao apoio estatal face à proposta da UE. Logo de seguida, foi firmado também um acordo do mesmo tipo com o Vietname;

18 – Caso as alterações à fronteira da Irlanda do Norte indicadas no “Internal Markets Act” sejam levadas a cabo, os EUA não estabelecerão um acordo de comércio livre com o Reino Unido;

19 – Pelo menos dois milhões de cidadãos britânicos que vivem na Europa durante parte ou a maioria do ano não sabem como será o futuro. Segundo o Independent, terão de tirar a carta de condução numa língua que, muitas vezes, não entendem e apenas podem ficar em imóveis de que sejam proprietários por períodos de 90 ou 180 dias;

20 – As opiniões sobre o Brexit continuam a dividir a sociedade e a vida política: enquanto o Partido Conservador vê com bom olhos a saída da União Europeia, há ainda quem resista à ideia.

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