Existem muitos pacientes que contraíram a Covid-19 mas já estão recuperados, ou pelo menos era isso que se pensava. Isto porque alguns sintomas da doença teimam em não desaparecer, mesmo depois de o vírus já não estar no organismo, segundo o ‘El Confidencial’.
Em meados de março, assim que o estado de emergência em Espanha foi declarado, Nieves Cámara começou a sentir febre baixa, tosse, dor de cabeça e mal-estar. «Não era grave, então fiquei em casa, mas depois de três semanas estava igual e os médicos diagnosticaram-me uma pneumonia», explica a cientista de 43 anos, citado pelo jornal espanhol.
Apesar de tudo, não chegou a ser hospitalizada e voltou para casa com tratamento. Depois de mais de um mês e meio do primeiro o teste positivo, «a pneumonia já estava resolvida, mas eu ainda estava doente. Depois, comecei a sentir calafrios e disseram-me que tinha sido contagiada com a Covid-19», explica.
Mas se pensa que depois de ter sido dada como recuperada a especialista melhorou, está enganado. «Desde então, tive mais três testes negativos, o que significa que o vírus já não no trato respiratório ou está curado, mas os sintomas persistem e os médicos não sabem dar uma explicação», afirma Cámara citada pelo ‘El Confidencial’.
Agora «vou ao neurologista porque um dos piores sintomas é a dor de cabeça, tão forte que me faz chorar», explicou. Em agosto, a especialista foi diagnosticada com uma meningite viral causada pelo vírus herpes simplex e ficou hospitalizada durante 23 dias. «Explicaram-me que muitas pessoas têm o vírus do herpes inativo e que às vezes se manifesta quando há outra infeção, que no caso poderia ser o coronavírus, devido às defesas estarem baixas», disse.
Embora o problema tenha desaparecido, Cámara ainda apresenta febre, dores de cabeça, tonturas e dormência na mão, braço e pé direitos. Tarefas simples, como varrer, ou preparar comida, «deixam-me com uma fadiga terrível», para além de insónias, perda de memória e concentração. Mais de meio ano depois, «continuo com baixa médica devido ao coronavírus, vou ao neurologista e ao hospital», refere.
Como ela, centenas de pessoas oriundas de várias comunidades autónomas de Espanha, integram hoje os grupos de «Covid-19 persistente», assim tem sido designado o problema de grande parte dos pacientes com coronavírus que continuam a sofrer.
Estes grupos de pacientes pedem para que a doença seja investigada e que existam protocolos para que os profissionais de saúde possam identificá-la, visto que muitas vezes, ao darem um diagnóstico negativo, os médicos não sabem o que pode estar por detrás. Por esta razão, a Sociedade Espanhola de Médicos Gerais e de Família (SEMG) lançou um estudo para esclarecer esta situação.





