Nos últimos cinco anos registaram-se os três Julhos mais quentes de sempre

Nos últimos cinco anos registaram-se os três Julhos mais quentes do mundo, sendo que o mês passado foi o terceiro mais quente destes registos.

Simone Silva

Nos últimos cinco anos registaram-se os três Julhos mais quentes do mundo, sendo que o mês passado foi o terceiro mais quente já registado, de acordo com novos dados do Serviço de Alterações Climáticas da União Eurpeia, Copernicus, citado pela ‘Reuters’.

Com o calor, surgiu também um alto nível de derretimento do gelo no Ártico, onde a extensão do gelo marinho no mês passado atingiu o nível mais baixo desde que os registos dos satélites polares começaram há quatro décadas, segundo o órgão europeu.



Estas novas descobertas surgem numa altura em que a França e a Bélgica se preparam para uma possível onda de calor no fim de semana, enquanto que as estradas italianas perto de um glaciar alpino foram encerradas devido a alertas de que temperaturas elevadas, que podem causar o colapso do gelo.

«Não é apenas uma coisa de verão», disse o cientista sénior da Copernicus, Freja Vamborg. «Estamos a falar de uma escala global e todos os meses estão a ficar cada vez mais quentes», acrescentou o responsável citado pela ‘Reuters’.

Registos de temperatura atmosférica da Copernicus, que datam de meados do século 19, revelam que os últimos cinco anos foram os mais quentes até agora. Em termos de recordes para o mês de Julho, apenas 2019 e 2016 foram mais quentes do que no mês passado.

No mês passado, os estados norte-americanos do Novo México e Texas registaram recordes históricos. O Médio Oriente também registou um nível de calor recorde, com o Bahrein a verificar o seu pior mês de Julho desde 1902.

Mesmo acima das águas do nordeste do Oceano Pacífico, as temperaturas da superfície do mar foram quase cinco graus Celsius superiores à média de 40 anos em alguns locais, mostram os dados da Copernicus.

No Árctico, que tem vindo a aquecer a níveis históricos, a extensão do gelo marinho derreteu ao nível mais baixo registado em Julho desde 1979. Segundo o Copernicus as imagens de satélite revelam condições sem gelo «em quase todos os locais» ao longo da costa da Sibéria.

«É difícil falar sobre as condições médias no Árctico», onde a cobertura de gelo flutua de ano para ano, disse Vamborg. «Mas esta é uma tendência de queda muito, muito clara nos últimos 40 anos», acrescentou o responsável.

O calor também tem sido associado a incêndios florestais que têm causado manchas de floresta na Siberia e permafrost desde meados de Junho. Uma imagem na quarta-feira de um satélite Copernicus mostrou uma enorme nuvem de fumo sobre a região russa.

Os níveis de monóxido de carbono na Sibéria sugerem que os incêndios «realmente dispararam» nos últimos dois anos, disse Mark Parrington, um outro cientista sénior da Copernicus que monitoriza as emissões dos incêndios florestais. Enquanto isso, os incêndios na Sibéria neste ano já libertaram cerca de 200 milhões de toneladas de dióxido de carbono – mais do que em qualquer um dos 17 anos anteriores.

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