O sobreendividamento das famílias portuguesas, decorrente das dificuldades económicas sentidas recentemente, estará na origem do aumento do número de burlões do crédito em Portugal. Olham para estes cidadãos como presas fáceis para a atribuição de soluções que prometem resolver todos os seus problemas financeiros.
Segundo avança o jornal Público, o Banco de Portugal (BdP) identificou 21 entidades a actuar ilegalmente em Portugal, até meados deste mês. Trata-se do dobro do registado na totalidade do ano passado. A abordagem escolhida envolve fazerem-se passar por intermediários de crédito ou consultores que oferecem novos empréstimos ou a reestruturação dos que já existem. No entanto, o objectivo não é ajudar as famílias, mas sim extorquir mais dinheiro.
A mesma publicação dá conta do impacto económico da pandemia de COVID-19 como uma das justificações para o aumento da actividade fraudulenta, juntando-se ainda as restrições no acesso às moratórios de crédito, por exemplo. Quem tem atrasos superiores a 90 dias no pagamento dos empréstimos ou dívidas ao Estado não tem direito a estas moratórias, criando uma espécie de bola de neve que cria o ambiente perfeito para os burlões florescerem.
Natália Nunes, directora do Gabinete de Apoio Financeiro (GAF) da Deco, indica ao Público que todas as semanas chegam relatos de uma ou mais situações de burla. No total, entre 18 de Março de 30 de Junho, foram feito mais de 7 mil pedidos de aconselhamento financeiro. As situações reportadas são, depois, encaminhandas para o BdP ou, em alguns casos, para o Ministério Público.
Como funcionam as burlas?
Natália Nunes dá conta do caso de um consumidor que pediu ajuda depois de ter tentado obter um novo empréstimo através de um destes falsos intermediários de crédito. Foram-lhe pedidos 75 euros para abertura do processo e, de seguida, 750 euros para a sua conclusão. O primeiro valor foi pago pelo cidadão, mas a quantia mais avultada já não.
Esta será a prática comum: primeiro, valores mais baixos, que supostamente permitem iniciar os procedimentos, e, depois, montantes mais elevados e sucessivos, sem que nenhuma operação seja de facto concretizada.





