56% dos cidadãos da UE querem novos países membros, revela sondagem europeia

O alargamento da União Europeia (UE) continua a ganhar força política, impulsionado pela guerra na Ucrânia e pelo crescente debate sobre o futuro do continente. Segundo o mais recente inquérito Eurobarómetro, 56% dos cidadãos europeus apoiam a expansão do projeto europeu a novos países candidatos.

Pedro Gonçalves
Outubro 28, 2025
12:18

O alargamento da União Europeia (UE) continua a ganhar força política, impulsionado pela guerra na Ucrânia e pelo crescente debate sobre o futuro do continente. Segundo o mais recente inquérito Eurobarómetro, 56% dos cidadãos europeus apoiam a expansão do projeto europeu a novos países candidatos. O tema voltará a estar em destaque no próximo dia 4 de novembro, durante a Cimeira do Alargamento organizada pela Euronews em Bruxelas, que reunirá líderes de Estados-membros e países candidatos.

De acordo com o estudo, a Suécia (79%), a Dinamarca (75%) e a Lituânia (74%) são os países mais favoráveis à entrada de novos membros, enquanto a Áustria (45%), a Chéquia (43%) e a França (43%) se revelam os menos recetivos. O apoio é particularmente forte entre os jovens: 67% dos europeus entre os 15 e os 24 anos estão a favor do alargamento, seguidos por 63% na faixa etária dos 25 aos 39 anos. No total, cerca de dois terços dos inquiridos veem positivamente a abertura da União a novos países.

Segundo Corina Stratulat, diretora associada do European Policy Centre, “o apoio vem em grande medida dos jovens e das pessoas com maior nível de instrução, o que não é surpreendente”. A investigadora alerta, no entanto, para a necessidade de ampliar o consenso social: “A questão agora é como convencer também os jovens menos escolarizados, que tendem a aproximar-se dos extremos e, por isso, se colocam do lado oposto ao do alargamento.”

Perceção dos benefícios e riscos
O Eurobarómetro revela que 37% dos europeus acreditam que o alargamento reforçará a influência da União Europeia no mundo, e a mesma percentagem considera que trará benefícios económicos, nomeadamente o fortalecimento do mercado interno. Já 30% veem o processo como um caminho para aumentar a solidariedade entre os Estados-membros.

Apesar desse otimismo, há também preocupações relevantes. Quarenta por cento dos inquiridos apontam o risco de imigração descontrolada, 39% temem um aumento da corrupção e do crime, e 37% referem os custos que o processo poderá implicar para os contribuintes europeus.

Para que o processo político avance de forma equilibrada, os cidadãos europeus defendem a adoção de medidas que garantam o Estado de direito e o combate à corrupção, posição expressa por 44% dos participantes. Além disso, 38% exigem compromissos claros dos países candidatos na implementação das reformas exigidas pela UE. Muitos também sugerem um reforço dos critérios de adesão, de modo a assegurar que os novos membros cumpram integralmente os padrões europeus antes da entrada.

Corina Stratulat sublinha que “seria importante que os políticos aproveitassem esta onda de apoio público para agir de forma mais ambiciosa, acolhendo novos membros e realizando o trabalho preparatório necessário para integrar mais países à volta da mesa de decisão”. A cimeira de Bruxelas será, assim, uma oportunidade para líderes europeus e candidatos debaterem tanto as vantagens como os desafios do alargamento.

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