A análise de Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati
Os resultados do 45.º Barómetro da Executive Digest revelam um optimismo cauteloso no tecido empresarial português, com 64% das empresas a reportar que 2025 correu melhor ou muito melhor que 2024. Este sentimento positivo é sustentado por perspectivas de crescimento do volume de negócios, onde impressionantes 71% antecipam um aumento em 2025, com 48% a projectar um crescimento até 10%. As Prioridades Estratégicas são crescimento, investimento e Inteligência Artificial (IA). Olhando para 2026, a palavra-chave é estabilidade com crescimento moderado. A grande maioria (70%) prevê um crescimento moderado no seu sector de actividade, e os planos de investimento reflectem essa postura, com 47% a manter a manutenção e 45% a planear um aumento ou forte aumento. A IA é vista como uma prioridade clara. Um total de 66% das empresas planeia investir mais (53%) ou continuar a investir fortemente (13%) em IA. De forma tranquilizadora, a maior parte (57%) acredita que o impacto da IA será a realocação de colaboradores para outras tarefas, e não uma redução massiva da força de trabalho, o que são excelentes notícias num contexto de quase pleno emprego. Reformas estruturais e maiores receios incluem um Orçamento do Estado para 2026 que não gera entusiasmo generalizado: apenas 7% o vêem como “Sim”. No que toca à esfera política, a diminuição da carga fiscal aos cidadãos (40%) e a desburocratização (38%) são as áreas prioritárias para o Governo. Contudo, o receio mais significativo para 2026 são as crises financeiras (73%), seguidas pelas guerras comerciais (40%) e crises políticas (38%), indicando que a instabilidade macroeconómica e geopolítica continua a ser a maior ameaça percebida. Em suma, as empresas portuguesas procuram consolidar os ganhos de 2025, abraçam a IA como ferramenta de produtividade e realocação, mas exigem reformas estruturais e permanecem em alerta máximo face aos riscos externos.
Testemunho publicado na edição de Dezembro (nº. 237) da Executive Digest, no âmbito da XLV edição do seu Barómetro.














