A análise de Luís Ribeiro, Administrador do novobanco
Os resultados deste último Barómetro suportam a percepção de um desempenho relativamente positivo da economia portuguesa em 2025 e de perspectivas moderadamente favoráveis para 2026. Estas duas ideias exigem, contudo, uma análise mais cuidada. Em 2025, o crescimento da economia portuguesa terá assentado, sobretudo, no dinamismo do consumo privado, em função do baixo desemprego e da subida do rendimento disponível, por sua vez beneficiando das decidas dos juros e de apoios orçamentais. Não há nada de errado nisto; mas é expectável que o crescimento do emprego modere e que a margem de manobra da política orçamental diminua no futuro próximo. Nesse sentido, é fundamental focar as atenções no investimento e nas exportações como motores de crescimento. É no dinamismo destes dois agregados que se poderão encontrar ganhos de produtividade e de competitividade que sustentem aumentos reais do rendimento, que não dependam de apoios pontuais da política orçamental. Em 2025, o investimento cresceu abaixo das expectativas iniciais e as exportações desaceleraram, num contexto internacional muito desafiante. A atracção do investimento (para lá do PRR) e o estímulo às exportações dependem da capacidade de se criar um ambiente económico adequado, quer a nível nacional, quer a nível europeu. Neste domínio, Portugal e a UE correm o risco de se demorarem em “lutas” do passado, atrasando-se na corrida da digitalização e automação, no acesso aos minerais críticos, no investimento em IA e na independência energética, onde os EUA e a China levam já vantagem. Uma estimativa recente do FMI referia que, dentro da UE, as barreiras invisíveis ao comércio tinham um efeito equivalente a uma tarifa de 44%. O barómetro aponta (bem) a desburocratização como uma das reformas prioritárias em Portugal. Esta e outras reformas (no domínio da justiça, da educação, da fiscalidade, etc.) que permitam libertar o potencial competitivo dos empresários e trabalhadores devem ser vistas como condições necessárias para que a economia portuguesa continue a crescer. Mas já não serão uma condição suficiente: a UE e Portugal têm já outros caminhos para recuperar no novo quadro económico global. A economia portuguesa parece ter potencial para beneficiar de novos investimentos no domínio da IA, da geração da energia necessária à IA, etc. Mas é fundamental manter as condições de atracção desse investimento.
Testemunho publicado na edição de Dezembro (nº. 237) da Executive Digest, no âmbito da XLV edição do seu Barómetro.














