XLV BARÓMETRO: Empresários optimistas para 2026, mas exigem reformas estruturais

Empresas competitivas com resultados positivos em 2025 e expectativas de crescimento para 2026.

Executive Digest
Fevereiro 2, 2026
12:46

Empresas competitivas com resultados positivos em 2025 e expectativas de crescimento para 2026.

Os resultados do XLV Barómetro Executive Digest mostram um quadro de confiança no desempenho económico alcançado este ano e nas perspectivas de crescimento para 2026, ainda que existam alguns receios macroeconómicos e uma exigência urgente de reformas estruturais.

Globalmente, 2025 foi considerado um ano muito positivo para as empresas inquiridas. Mais de 60% consideraram que foi melhor (54%) ou muito melhor (10%) do que 2024, enquanto 30% mantiveram os seus resultados. Destaque-se que apenas 6% reportaram um desempenho inferior relativamente ao ano transacto. A melhoria confirma-se nas projecções para 2026. 71% das empresas antecipam aumento de volume de negócios, com 48% a preverem crescimentos até 10%, 15% entre 10% e 20%, e 8% acima dos 20%. Apenas 2% prevêem uma quebra, e 25% estimam manter os níveis actuais. Estes dados revelam também uma base sólida de confiança deste universo empresarial.

O QUE AS EMPRESAS ESPERAM PARA 2026

O optimismo é também extensível às perspetivas setoriais para 2026. 80% dos inquiridos antecipam crescimento no seu sector de atividade: 70% contam um crescimento moderado, enquanto 10% esperam um forte crescimento. Do total de empresários ouvidos, apenas 15% prevêem uma estagnação e 5% uma ligeira retracção. Nenhum dos inquiridos antecipa uma quebra acentuada.

Quanto aos planos de investimento, 45% das empresas inquiridas contam aumentar o investimento (5% de forma significativa), enquanto um pouco menos de metade (47%) pretende manter os níveis atuais. Apenas 5% prevêem uma redução. Esta distribuição de valores mostra-nos que existe um equilíbrio entre ambição e prudência por parte dos empresários, reflectindo confiança no futuro, mas também atenção a possíveis riscos externos.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: APOSTA ESTRATÉGICA E IMPACTANTE

A Inteligência Artificial (IA) é uma prioridade estratégica para as empresas em 2026. Mais de metade dos inquiridos (53%) planeiam aumentar o investimento em IA e 15% pretendem expandir a sua utilização no dia-a-dia das suas empresas. Apenas 2% dos inquiridos ainda não utiliza IA, o que mostra uma rápida e generalizada adopção desta tecnologia.

No que toca ao possível impacto laboral da IA nas empresas, 57% acreditam que esta aumentará a produtividade, mas com a necessidade da realocação de trabalhadores para novas funções. No entanto, 30% prevêem reduções na força de trabalho: 22% até 5% e 8% entre 5% e 10%. Nenhum empresário/ gestor antecipa cortes superiores a 10%. Desta forma, é possível concluir que a IA é vista como um motor de eficiência e reorganização, e não tanto como responsável por desemprego em massa.

ORÇAMENTO DO ESTADO E AS REFORMAS PRIORITÁRIAS

Metade dos participantes no XLV Barómetro Executive Digest avaliam o Orçamento do Estado para 2026 como globalmente positivo, mas consideram que o documento poderia ser melhorado. Assim, 35% vêem-no como neutro, enquanto apenas 7% aprovam-no sem reservas. Do outro lado do espectro, 5% consideram-no negativo.

De entre as reformas mais exigidas pelos empresários destacam-se a redução da carga fiscal sobre as empresas (IRC), a desburocratização e a promoção do crescimento económico. Outras áreas referidas incluem a Saúde e a Justiça, a Reforma Laboral e a execução do PRR. Curiosamente, a redução do IRS e a digitalização surgem com apenas 10% de prioridade. O destaque dado pelos empresários à fiscalidade e à eficiência administrativa mostra-nos quais são os principais entraves à competitividade identificados pelo sector privado.

OS PRINCIPAIS RECEIOS E RISCOS PARA 2026

Apesar do optimismo interno, os empresários manifestam fortes preocupações com o contexto externo e com os possíveis impactos que este pode ter nos seus negócios. O maior receio é o de crises financeiras (73%), seguido por guerras comerciais (40%), crises políticas (38%) e conflitos militares (38%). Estes factores explicam, em parte, a prudência dos inquiridos nos planos de investimento das empresas que lideram.

Internamente, a falta de mão-de-obra preocupa 35% dos empresários, enquanto 13% receiam rupturas nas cadeias de abastecimento e 8% apontam a escassez de matérias-primas. Esta contradição (entre confiança interna e receios externos) sinaliza o estado de espírito empresarial: crescimento sustentado, mas vulnerável a choques sistémicos.

CONCLUSÃO

Resumindo, o XLV Barómetro Executive Digest mostra-nos um tecido empresarial competitivo e robusto, com resultados positivos em 2025 e expectativas sólidas de crescimento sustentado para 2026. A aposta estratégica na Inteligência Artificial como factor essencial de productividade, inovação e transformação é clara, embora tenha de ser acompanhada por uma reestruturação laboral moderada e responsável. Os planos de investimento reflectem confiança no futuro, mas também cuidado prudente, motivado por receios macroeconómicos e geopolíticos que continuam a influenciar as decisões.

 

Este Barómetro conta também com a análise dos especialistas:

– Vítor Ribeirinho, CEO / Senior Partner da KPMG Portugal

– Luís Ribeiro, Administrador do novobanco

– Raul Neto, CEO da Randstad

– Luís Lopes, CEO da Vodafone Portugal

– José Borralho, CIO e Fundador da Escolha do Consumidor

– Luís Menezes, CEO do Grupo Ageas Portugal

– Rui Lopes Ferreira, CEO do Super Bock Group

– Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

– Luiza Fragoso Teodoro, CEO da Verlingue Portugal

– Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde

– João Pinto, Dean da Católica Porto Business School

– Ricardo Martins, CEO da CEGOC

Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 237 de Dezembro de 2025

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