A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) enfrenta uma das suas maiores crises em décadas. Além da queda de 20% nos preços do petróleo no último ano, o controlo de membros fundadores como a Venezuela está a ser progressivamente contestado pelos Estados Unidos, ameaçando a influência do cartel no mercado global.
A instabilidade na Venezuela, onde Washington poderá controlar a indústria petrolífera através de investimentos estratégicos, coloca em risco a disciplina do cartel, historicamente coordenada pela Arábia Saudita e, em alguns casos, pela Rússia (OPEP+). Segundo o ‘El Economista’, este cenário preocupa os países do cartel, que receiam que a queda venezuelana seja apenas a primeira peça de um efeito dominó. A situação no Irão, com protestos a favor do regresso de Reza Pahlavi, reforça esta ameaça, dada a proximidade do antigo príncipe com os EUA e o potencial acesso a petróleo altamente lucrativo.
Pressão de Trump sobre a produção venezuelana
O presidente Donald Trump pretende reabilitar os campos petrolíferos da Venezuela e integrar a produção do país no mercado internacional, uma estratégia que poderia alterar o equilíbrio de forças na OPEP. Embora a capacidade de produção adicional seja incerta, especialistas citados pelo ‘El Economista’ afirmam que mesmo aumentos moderados no curto prazo podem exacerbar o excedente global de petróleo e pressionar ainda mais os preços para baixo.
A Arábia Saudita, por seu lado, mantém cautela, reconhecendo que o petróleo venezuelano é pesado e de baixo valor comercial, exceto se vendido com grandes descontos. Outros membros do Golfo veem, contudo, um potencial estratégico: desviar o petróleo venezuelano para os EUA poderia obrigar a China a procurar mais oferta no Médio Oriente, alterando fluxos globais.
Mercado global e preços sob tensão
A OPEP enfrenta agora um dilema: reduzir a oferta para sustentar preços, arriscando receitas e participação de mercado, ou aceitar a pressão dos EUA sobre a Venezuela. Analistas do UBS e do JP Morgan alertam que a combinação das reservas da Venezuela, Guiana e produtores americanos poderá colocar cerca de 30% do petróleo global sob influência dos EUA, mantendo os preços historicamente baixos e remodelando o poder no setor.
Os preços do Brent e do WTI continuam relativamente baixos, a US$ 64 e US$ 59 o barril, respetivamente, refletindo o excesso de oferta global e a volatilidade geopolítica. A OPEP, juntamente com aliados como a Rússia, decidiu suspender aumentos de produção nos primeiros três meses do ano, tentando gerir o impacto da nova dinâmica no mercado.
Com a Venezuela sob possível influência dos EUA e o Irão em instabilidade, a OPEP enfrenta um desafio sem precedentes. A dificuldade de coordenar políticas de produção num mercado fragmentado aumenta o risco de desestabilização dos preços. A complexidade do cenário atual supera a dos últimos anos, colocando o cartel perante um efeito dominó que poderá redefinir a sua autoridade no setor petrolífero global.














