A forma como é feita a gestão de resultados (lucros ou prejuízos) utilizando as perdas com empréstimos, que decorrem dos juízos de valor dos administradores dos bancos, pode afetar negativamente a eficiência bancária.
Esta é uma das conclusões de um estudo conduzido por uma equipa da Universidade de Coimbra (UC), que utilizou dados de 70 dos 117 bancos supervisionados pelo Banco Central Europeu (BCE).
A investigação sublinha também a importância da divulgação desta informação, por parte das entidades bancárias, nos seus relatórios e contas anuais, assim como a realização de auditorias internas e externas ao risco de crédito.
É através de imparidades de crédito discricionárias, que são definidas por decisão dos administradores, e de imparidades de crédito não discricionárias, que resultam da legislação ou regulamentação em vigor, que é medida a gestão de resultados nos bancos. “Ainda que sejam legais, as imparidades de crédito discricionárias podem desviar-se do espírito das normas contabilísticas, o que se reflete, por exemplo, nas informações privadas sobre perdas de crédito esperadas, às quais os administrados dos bancos têm acesso”, explicam os autores.
“Um banco é eficiente quando maximiza os seus resultados (outputs) utilizando recursos (inputs) que são limitados”, sublinham os autores.
O artigo científico “The effect of earnings management on bank efficiency: Evidence from ECB-supervised banks”, conduzido por Catarina Proença, Mário Augusto e José Murteira, investigadores do Centro de Investigação em Economia e Gestão (CeBER) e docentes da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), encontra-se publicado na revista Finance Research Letters, e está disponível aqui https://doi.org/10.1016/j.frl.2022.103450.














