A Inteligência Artificial (IA) tem assumido cada vez mais um papel fundamental no mundo empresarial, em todos os setores de atividade, e as empresas têm aproveitado esta ferramenta para potenciar os seus negócios.
A Executive Digest falou com David Sousa, Diretor da SEMPER, para saber de que forma IA pode beneficiar o setor segurador e para os seus clientes, mas também quais as ameaças que esta tecnologia representa.
De que forma pode o setor segurador beneficiar de tecnologias como a Inteligência Artificial?
A Inteligência Artificial (IA) é, já hoje, utilizada de forma transversal no seio do setor segurador, sobretudo nas áreas técnicas de subscrição e nas áreas de backoffice. No primeiro caso, existe cada vez mais o recurso a soluções de IA para permitir a melhor caracterização e avaliação de risco, incorporando maior número de variáveis e informação, e permitindo uma melhor adequação dos contratos e dos pricings aos riscos. No caso do backoffice, estas novas ferramentas contribuem de forma determinante na automatização de processos e no ganho de eficiências que, em última análise, se traduzem em ofertas mais competitivas por força dos ganhos de rentabilidade proporcionados.
E como podem os clientes beneficiar da IA?
A partir do momento em que a IA representa uma capacidade de resposta e de desenvolvimento de novas soluções mais ágil, fiável e capaz, há vantagens claras também para o serviço prestado aos segurados, que se tornará altamente flexível e personalizado. Numa perspetiva centrada no consumidor e em todos os benefícios a jusante, é possível enumerar um conjunto de serviços que estão a ser otimizados através do uso da IA, como o atendimento ao cliente, em que a capacidade de estar permanentemente disponível ou de filtrar pedidos de forma inteligente pode direcionar a níveis superiores de satisfação e fidelização. Entre vários, é ainda possível destacar a capacidade de análise que advém do recurso a novas tecnologias desenhadas para necessidades prementes das empresas do setor segurador, como o cruzamento de dados, a leitura de informações em tempo real ou a construção de melhores modelos de previsão. Ao reduzir os custos administrativos, reflete-se, naturalmente, numa melhor experiência para os clientes.
É fácil as empresas adotarem soluções de IA, automação e gestão de dados nos seus processos produtivos? Quais os entraves?
A adoção de soluções de IA representa um novo paradigma para qualquer Organização. Podemos afirmar que estamos a assistir à mais recente revolução no setor, o que carrega obstáculos inerentes como qualquer outra transformação. O necessário controlo dos dados perante significativos volumes de informação, o ajuste face a possíveis alterações na regulação ou a dificuldade em acompanhar a vertiginosa cadência de alterações tecnológicas e utilizar estas tecnologias em escala são alguns dos entraves que posso identificar, mas acredito na capacidade de resiliência que o setor sempre demonstrou para responder a novos desafios de uma forma exemplar.
A pandemia veio acelerar a necessidade de o setor segurador adotar novas ferramentas para dar uma resposta mais efetiva à distância?
É uma questão diretamente associada à anterior. Foi no pico do período pandémico que o setor segurador demonstrou a sua excelente capacidade de superação, intrínseca à atividade, e apresentou uma evolução estratégica face a todos os novos desafios. A IA seria um fenómeno inevitável e creio que as circunstâncias da pandemia simplesmente aceleraram esse processo. Quanto a outras ferramentas, este foi um momento muito específico da nossa história, mas também nos ensinou que a inovação não reside apenas em ferramentas digitais. Ao invés, ensinou-nos a forma como os clientes valorizam e continuam a valorizar o contacto pessoal e humano. Inovar é também sinónimo de otimizar formatos de negociação e estratégias de atuação. Se as ferramentas digitais permitirem que os profissionais do ramo segurador dediquem mais tempo à experiência dos seus clientes, de uma forma personalizada e ajustável a cada empresa e pessoa, então estamos certamente perante uma situação positiva para todos.
Quais as ameaças da IA para o setor?
Tal como em qualquer outro setor, é invariável a existência de uma ameaça no que toca à substituição do trabalho humano por forças automatizadas. Contudo, acredito que o alarmismo nunca caminha a par da sensatez e do pronto solucionamento de quaisquer desafios que se coloquem à atividade do setor. O passado ensina-nos que a fase inicial de adoção de uma tecnologia desponta, frequentemente, estranheza e apreensão. A IA não será certamente exceção. Numa fase mais avançada, será um apoio vital às diversas indústrias de atividade de forma a colmatar lacunas, recaindo para o lado humano, acima de tudo, a criatividade, a inteligência emocional e a capacidade de tomada de decisão perante a aleatoriedade de novos cenários. A verdadeira vantagem competitiva é saber capitalizar novas tecnologias a par de capacidades humanas de forma a transformar operações e relações com clientes.
Que novos projetos estão em cima da mesa com a utilização de IA?
São muitos e variados, nas mais diversas áreas. Destacaria como uma das evidências mais recente da implementação da IA os seguros paramétricos, apenas possíveis de gerir e implementar pela utilização de quantidades de informação nunca utilizadas e com recurso a tecnologias como georreferenciação e geolocalização.
A maturidade digital das empresas é hoje um fator decisivo no mercado?
Perante o cenário atual de um mundo em constante mutação, é inegável afirmar que uma empresa que não está inserida no universo digital é uma empresa que não existe. A adaptação é chave e uma resposta necessária às crescentes exigências dos consumidores, cada vez mais habituados a experiências de consumo digitais. A inovação, um dos valores fundamentais da SEMPER, está também baseada no uso de novas tecnologias e quando estas garantem eficiência e rentabilidade, são sempre positivas.














