Trump supervisionou simulacro da captura de Maduro meses antes da operação real (e há vídeo do momento)

Donald Trump supervisionou, em junho do ano passado, um simulacro militar de grande escala no qual forças especiais norte-americanas ensaiaram a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Pedro Gonçalves
Janeiro 7, 2026
16:59

Donald Trump supervisionou, em junho do ano passado, um simulacro militar de grande escala no qual forças especiais norte-americanas ensaiaram a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. O exercício decorreu na base de Fort Bragg, na Carolina do Norte, sede da unidade de elite Delta Force, e acabou por ser amplamente divulgado pela própria equipa do então presidente norte-americano através de vídeos e fotografias publicados nas redes sociais oficiais.

As imagens tornadas públicas mostram Trump a acompanhar de perto manobras conduzidas pelo Comando de Operações Especiais do Exército dos Estados Unidos, numa encenação que reproduzia com elevado grau de detalhe uma operação de assalto a um edifício fortificado. No treino, soldados da Delta Force descem de helicópteros MH-47G Chinook, apoiados por helicópteros de ataque AH-64 Apache, aterrando na cobertura de um edifício antes de entrarem no seu interior, enquanto equipas terrestres garantem apoio a partir de veículos blindados.

A divulgação do simulacro foi assumida pela própria Casa Branca. A 10 de junho de 2025, Dan Scavino, então subdiretor do Gabinete de Comunicação de Trump, publicou na rede social X um vídeo com cerca de dois minutos e meio onde se vê o presidente republicano a observar os exercícios, acompanhado pelo secretário da Defesa, Pete Hegseth, e pelo secretário do Exército, Dan Driscoll. As manobras exibidas revelavam-se praticamente idênticas às que viriam a ser usadas meses depois na operação real contra Maduro e a sua mulher, Cilia Flores.

No mesmo dia, Margo Martin, outra assessora próxima de Trump presente em Fort Bragg, divulgou também imagens do treino, que incluíam lançamentos de mísseis e a participação de unidades do XVIII Corpo Aerotransportado. Toda esta demonstração de poder militar integrou as comemorações do 250.º aniversário do Exército dos Estados Unidos, embora Trump tenha aproveitado o discurso para defender o destacamento da Guarda Nacional em Los Angeles e anunciar a intenção de restaurar nomes de líderes confederados em várias bases militares, revertendo decisões tomadas pela anterior administração de Joe Biden.

Apesar da exposição pública destas manobras e da retórica reiterada de Trump sobre a necessidade de derrubar o regime venezuelano, nada indica que os serviços de inteligência bolivarianos tenham antecipado a possibilidade de uma ação semelhante vir a ser executada no refúgio presidencial de Maduro. As pistas sobre os planos militares estavam visíveis, com a Casa Branca a divulgar abertamente imagens dos treinos das forças especiais e a exibir a sua capacidade operacional.

A operação real, batizada de “Resolução Absoluta”, mobilizou mais de 150 aeronaves de diferentes tipologias, incluindo caças, aviões de guerra eletrónica, bombardeiros supersónicos B-1 e aparelhos especializados em deteção de lançamentos de mísseis. Estas aeronaves partiram de cerca de vinte bases militares controladas pelos Estados Unidos em todo o hemisfério ocidental. Antes da entrada das forças especiais, um ataque cibernético provocou um apagão em Caracas e permitiu neutralizar rapidamente as defesas aéreas da capital venezuelana.

Sem resistência significativa, helicópteros MH-47 Chinook e MH-60 Black Hawk transportaram as equipas da Delta Force até ao complexo fortificado onde se encontravam Nicolás Maduro e Cilia Flores. Segundo o relato, ambos tentaram alcançar uma sala blindada no interior do bunker, mas acabaram por ser intercetados, sofrendo ferimentos durante a tentativa de fuga. O casal presidencial foi depois evacuado de helicóptero para o USS Iwo Jima, um navio de assalto anfíbio destacado ao largo da costa venezuelana, sendo posteriormente transferido para a base de Guantánamo e, mais tarde, para Nova Iorque, onde compareceu perante a Justiça.

A preparação da missão prolongou-se por vários meses. As forças especiais norte-americanas chegaram a construir uma réplica à escala real do bunker de Maduro para ensaiar a operação. Duas semanas antes da intervenção, o Exército dos Estados Unidos terá infiltrado discretamente duas unidades da Delta Force em território venezuelano, recolhendo informação detalhada sobre os movimentos do líder chavista e estabelecendo um “padrão de vida”, com o apoio de um informador recrutado pela CIA no círculo íntimo do presidente venezuelano.

A operação teve uma duração total de duas horas e 20 minutos. Durante esse período, as forças norte-americanas bombardearam a base aérea de La Carlota, o porto de La Guaira, o aeroporto de Higuerote e o Quartel da Montanha, um museu militar situado num bairro popular de Caracas e associado simbolicamente à memória de Hugo Chávez. Ainda assim, o alvo central da missão foi o complexo de Fuerte Tiuna, sede do Ministério da Defesa, residência de vários altos responsáveis militares e principal base da Força Aérea venezuelana, onde Maduro e Cilia Flores se encontravam refugiados.

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