Donald Trump supervisionou, em junho do ano passado, um simulacro militar de grande escala no qual forças especiais norte-americanas ensaiaram a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. O exercício decorreu na base de Fort Bragg, na Carolina do Norte, sede da unidade de elite Delta Force, e acabou por ser amplamente divulgado pela própria equipa do então presidente norte-americano através de vídeos e fotografias publicados nas redes sociais oficiais.
As imagens tornadas públicas mostram Trump a acompanhar de perto manobras conduzidas pelo Comando de Operações Especiais do Exército dos Estados Unidos, numa encenação que reproduzia com elevado grau de detalhe uma operação de assalto a um edifício fortificado. No treino, soldados da Delta Force descem de helicópteros MH-47G Chinook, apoiados por helicópteros de ataque AH-64 Apache, aterrando na cobertura de um edifício antes de entrarem no seu interior, enquanto equipas terrestres garantem apoio a partir de veículos blindados.
A divulgação do simulacro foi assumida pela própria Casa Branca. A 10 de junho de 2025, Dan Scavino, então subdiretor do Gabinete de Comunicação de Trump, publicou na rede social X um vídeo com cerca de dois minutos e meio onde se vê o presidente republicano a observar os exercícios, acompanhado pelo secretário da Defesa, Pete Hegseth, e pelo secretário do Exército, Dan Driscoll. As manobras exibidas revelavam-se praticamente idênticas às que viriam a ser usadas meses depois na operação real contra Maduro e a sua mulher, Cilia Flores.
FORT BRAGG—@USArmy🇺🇸🦅 https://t.co/FM63TCgAjw pic.twitter.com/koqseAfR9q
— Dan Scavino (@Scavino47) June 10, 2025
No mesmo dia, Margo Martin, outra assessora próxima de Trump presente em Fort Bragg, divulgou também imagens do treino, que incluíam lançamentos de mísseis e a participação de unidades do XVIII Corpo Aerotransportado. Toda esta demonstração de poder militar integrou as comemorações do 250.º aniversário do Exército dos Estados Unidos, embora Trump tenha aproveitado o discurso para defender o destacamento da Guarda Nacional em Los Angeles e anunciar a intenção de restaurar nomes de líderes confederados em várias bases militares, revertendo decisões tomadas pela anterior administração de Joe Biden.
Apesar da exposição pública destas manobras e da retórica reiterada de Trump sobre a necessidade de derrubar o regime venezuelano, nada indica que os serviços de inteligência bolivarianos tenham antecipado a possibilidade de uma ação semelhante vir a ser executada no refúgio presidencial de Maduro. As pistas sobre os planos militares estavam visíveis, com a Casa Branca a divulgar abertamente imagens dos treinos das forças especiais e a exibir a sua capacidade operacional.
A operação real, batizada de “Resolução Absoluta”, mobilizou mais de 150 aeronaves de diferentes tipologias, incluindo caças, aviões de guerra eletrónica, bombardeiros supersónicos B-1 e aparelhos especializados em deteção de lançamentos de mísseis. Estas aeronaves partiram de cerca de vinte bases militares controladas pelos Estados Unidos em todo o hemisfério ocidental. Antes da entrada das forças especiais, um ataque cibernético provocou um apagão em Caracas e permitiu neutralizar rapidamente as defesas aéreas da capital venezuelana.
Sem resistência significativa, helicópteros MH-47 Chinook e MH-60 Black Hawk transportaram as equipas da Delta Force até ao complexo fortificado onde se encontravam Nicolás Maduro e Cilia Flores. Segundo o relato, ambos tentaram alcançar uma sala blindada no interior do bunker, mas acabaram por ser intercetados, sofrendo ferimentos durante a tentativa de fuga. O casal presidencial foi depois evacuado de helicóptero para o USS Iwo Jima, um navio de assalto anfíbio destacado ao largo da costa venezuelana, sendo posteriormente transferido para a base de Guantánamo e, mais tarde, para Nova Iorque, onde compareceu perante a Justiça.
A preparação da missão prolongou-se por vários meses. As forças especiais norte-americanas chegaram a construir uma réplica à escala real do bunker de Maduro para ensaiar a operação. Duas semanas antes da intervenção, o Exército dos Estados Unidos terá infiltrado discretamente duas unidades da Delta Force em território venezuelano, recolhendo informação detalhada sobre os movimentos do líder chavista e estabelecendo um “padrão de vida”, com o apoio de um informador recrutado pela CIA no círculo íntimo do presidente venezuelano.
A operação teve uma duração total de duas horas e 20 minutos. Durante esse período, as forças norte-americanas bombardearam a base aérea de La Carlota, o porto de La Guaira, o aeroporto de Higuerote e o Quartel da Montanha, um museu militar situado num bairro popular de Caracas e associado simbolicamente à memória de Hugo Chávez. Ainda assim, o alvo central da missão foi o complexo de Fuerte Tiuna, sede do Ministério da Defesa, residência de vários altos responsáveis militares e principal base da Força Aérea venezuelana, onde Maduro e Cilia Flores se encontravam refugiados.














