Talibãs têm 1 bilião de dólares em recursos nas mãos. China, Paquistão e Índia estão “de olho” no Afeganistão

Segundo as autoridades  norte-americanas, o Afeganistão possui boas reservas ferro, cobre ouro e um dos maiores depósitos inexplorados de lítio do mundo, um componente essencial, mas escasso, para as baterias.

Fábio Carvalho da Silva
Agosto 18, 2021
15:36
O Afeganistão é um dos países mais pobres do mundo. No entanto, em 2010, oficiais militares e geólogos dos EUA revelaram que o país, estava “sentado” num terreno recheado de recursos minerais, avaliado em pelo menos 1 bilião de dólares, que poderiam mudar para sempre a trajetória económica afegã. Agora este tesouro está nas mãos dos talibãs.
Segundo as autoridades  norte-americanas, o Afeganistão possui boas reservas ferro, cobre ouro e um dos maiores depósitos inexplorados de lítio do mundo, um componente essencial, mas escasso, para as baterias.
“O Afeganistão é uma região rica em metais preciosos tradicionais, mas também em metais [necessários] para a economia emergente do século XXI”, explicou em entrevista à CNN, Rod Schoonover, investigador e fundador do Ecological Futures Group.
“A China, Paquistão e Índia estão de olho nestes minérios. No entanto é pouco provável que os talibãs estejam disponíveis para negociar com o estrangeiro”,  defendeu Schoonover.
Segundo os dados do Banco Mundial (BM), referentes a 2020, 90% dos afegãos vivem abaixo do limiar da pobreza  (cerca de dois dólares por dia).  Para a instituição financeira internacional,  a economia do país permanece “moldada pela fragilidade e dependência de ajuda”.
“O desenvolvimento e a diversidade do setor privado são limitados pela insegurança, instabilidade política, infraestruturas inadequadas, corrupção generalizada e um ambiente complexo para negócios”, afirma o relatório do BM, publicado em março.
Em maio, a Agência Internacional de Energia (AIE) alertou para o facto de o mundo necessitar urgentemente de lítio, e outros materiais essenciais para a transição climática. China, República Democrática do Congo e Austrália – representam atualmente 75% da produção global destes minérios.
Há algum tempo, o Afeganistão começou a extrair alguns materiais, no entanto como lembra Mosin Khan, analista sénior do Conselho atlântico e ex-diretor da organização para o Médio Oriente, garante “que grande parte destes materiais ainda está enterrada”.
Atualmente, o país arrecadam segundo as contas de Khan, 1 bilião de dólares por ano com esta exploração, “dos quais 30% a 40% são desviados pela corrupção”.
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