Edward Snowden, o homem que expôs a Agência de Segurança Nacional dos EUA, vem agira alertar para o possível aumento na segurança dos cidadãos e dos países, face à crise do coronavírus, mas que poderá ter efeitos duradouros nas liberdades civis.
Snowden, em entrevista para o Festival de Documentários de Copenhaga, defendeu que, teoricamente, os novos poderes introduzidos pelos Estados para combater o surto de coronavírus podem permanecer “acessíveis” após a crise ter cessado.
“Cinco anos depois, já com o coronavírus fora das nossas vidas, os dados agora recolhidos ainda estarão disponíveis para quem os reunir”, sublinha, acrescentando que “quem o está a fazer, sabe o que andamos a ver na internet, sabem a localização dos telemóveis e podem até saber qual é o seu ritmo cardíaco, se por estes dias usarem uma app fitness. O que acontecerá quando começarem a misturar estes dados e a aplicar-lhes inteligência artificial?”
O alerta de Snowden especifica que os Estados podem exigir acesso aos dados de saúde das pessoas – como a frequência cardíaca – através de ‘wearables’. sempre respaldados na necessidade de aumentar a vigilância da saúde dos cidadãos em risco de serem afetados pela pandemia da Covid-19.
Invasões já começaram?
Vários países europeus, incluindo Itália, Reino Unido e Alemanha, fecharam acordos com empresas de telecomunicações para usar dados agregados anónimos para criar mapas virtuais de calor dos movimentos das pessoas.
Israel concedeu aos seus serviços de espionagem poderes de emergência para invadir os telefones dos cidadãos sem um mandado. A Coreia do Sul envia alertas avisando as pessoas quando estão em contacto com um paciente com coronavírus, incluindo detalhes pessoais como idade e sexo. Singapura está a usar uma aplicação de smartphone para monitorizar a propagação do coronavírus, rastreando pessoas que podem ter sido expostas.
Na Polónia, os cidadãos em quarentena precisam fazer o download de uma aplicação do governo que exige que respondam a solicitações periódicas de selfies. Taiwan introduziu um sistema de “cerca eletrónica” que alerta a polícia se pacientes em quarentena saírem de suas casas.














