O futuro do dinheiro já chegou, e encontra-se no centro de uma transformação sem precedentes: as stablecoins.
Um estudo divulgado pela Coinbase, “The State of Crypto: The Future of Money is Here”, revelou números impressionantes: em 2024, o volume de transações desta moeda digital atingiu US$ 27,6 biliões (cerca de 23,4 biliões de euros), o que superou o volume combinado da Visa e Mastercard no mesmo ano em mais de 7%. O número não é apenas um indicador do crescimento explosivo do setor, mas uma prova do potencial destas moedas como uma solução mais rápida, económica e escalável para pagamentos, especialmente transfronteiriços.
O que distingue, afinal, uma stablecoin? Ao contrário de criptomoedas como a Bitcoin, cujo valor é volátil e determinado pela oferta e procura, uma stablecoin – como o USDC ou o EURC – é uma criptomoeda cujo valor está associado a um ativo estável do mundo real, como o dólar ou o euro. O objetivo é manter um valor constante (por exemplo, 1 USDC = 1 Dólar), o que a torna uma ponte mais segura e estável entre as finanças tradicionais e os criptoativos.
É esta estabilidade que está a impulsionar a sua aceitação. Para além do volume de transações, o estudo da Coinbase destaca o crescente interesse das empresas por stablecoins. Segundo o inquérito, 81% das Pequenas e Médias Empresas (PME) com conhecimento em criptomoedas mostram interesse em usar stablecoins nos negócios, e o número de empresas na Fortune 500 que planeiam usá-las, ou já as estão a explorar, mais do que triplicou face ao ano anterior. Os dados demonstram que a adoção está a ganhar tração.
Em Portugal, e no resto do mundo, o crescimento é notório, e o setor financeiro tradicional está a acompanhar a evolução. A nossa posição, juntamente com a iminente regulamentação MiCA (Markets in Crypto-Assets) na Europa, reforça a importância de um ecossistema transparente e seguro para todos os intervenientes. Temos testemunhado esta transformação em primeira mão. Processámos mais de 100 milhões de euros em volume de transações de ativos digitais no ano passado. A grande maioria destas operações foi realizada para clientes internacionais, o que reforça o papel crucial destes ativos nas transações transfronteiriças.
No entanto, importa reforçar que este boom de stablecoins é sustentado por um marco regulatório fundamental: o MiCA, o regulamento que estabelece um ambiente legal único e abrangente na União Europeia para os ativos digitais, focado na transparência, proteção dos investidores e estabilidade financeira. Com a sua implementação a nível nacional a ser finalizada, Portugal e a Europa ganham a clareza e a segurança jurídica que eram essenciais para fomentar a inovação e a adoção responsável de criptoativos. Quem trabalha neste setor sabe que é esta base regulatória que abre, definitivamente, as portas para a integração plena entre as finanças tradicionais e o mundo digital.
A crescente adoção institucional de criptoativos, impulsionada pela eficiência e segurança das stablecoins, demonstra a confiança mais robusta neste mercado. O setor financeiro tem de estar empenhado em facilitar esta transição. E, apesar de os desafios e oportunidades que se avizinham serem imensos, a colaboração entre instituições financeiras tradicionais e empresas de ativos digitais é crucial para um futuro financeiro mais inclusivo, eficiente e inovador. A revolução das stablecoins está a começar – e Portugal não pode perder esta oportunidade.




