Randstad Insight: O mercado de trabalho no setor do comércio a retalho

RANDSTAD RESEARCH

Executive Digest
Janeiro 8, 2026
8:34

Com o objetivo de oferecer uma visão clara e completa da evolução do mercado de trabalho no setor do Comércio a Retalho, a Randstad compilou a informação conjuntural mais relevante nesta área, através de um conjunto de tabelas e gráficos, com base em dados do Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE), registos do Ministério do Trabalho e da Economia Social e do Ministério da Inclusão, Segurança Social e Migrações, e dados do Eurostat.

O setor do Retalho em Portugal é enquadrado na Secção G da CAE Rev. 3, que abrange comércio por grosso e a retalho, bem como a reparação de veículos. No entanto, apenas a Divisão 47 corresponde ao retalho propriamente dito, distinguindo-se das divisões 45 (comércio e reparação de veículos) e 46 (comércio por grosso).

A Divisão 47 concentra todas as atividades de venda direta ao consumidor final, incluindo supermercados, lojas de vestuário, eletrónica, mobiliário e outros estabelecimentos. Por isso, é considerada a principal referência para a análise do retalho.

Este estudo inicia-se com dados do INE, que permitem delimitar o setor do comércio em termos gerais, e aprofunda-se depois na atividade específica do retalho através da informação disponibilizada pelo Eurostat, conseguindo-se uma visão mais detalhada da sua evolução.

O EMPREGO NO SETOR DO COMÉRCIO E REPARAÇÃO DE VEÍCULOS

Segundo os dados do INE, no ano 2024, o setor do comércio e reparação de veículos representou 14,8% do emprego total em Portugal.

Esta percentagem coloca-o como um dos maiores empregadores do país, logo a seguir à indústria. O seu papel na economia vai além dos números de emprego; o setor do comércio é vital para a distribuição de bens, para o consumo interno e para o bom funcionamento de outras indústrias. O setor do comércio e reparação de veículos é um dos pilares da economia portuguesa.

O emprego no setor do comércio em Portugal passou por uma recuperação robusta após a queda em 2020. Cresceu de forma consistente de 2022 a 2024, atingindo 754,4 mil pessoas empregadas nesse setor no país.

Os dados de 2025, com 767,2 mil pessoas empregadas no 2º trimestre, mostram uma tendência de crescimento moderado. Apesar disso, o comércio continua a ser um pilar resiliente do mercado de trabalho português.

Segundo os dados da Eurostat, no ano 2024 a divisão com mais peso em relação ao mercado de trabalho dentro do setor do comércio e reparação de veículos foi a do comércio a retalho, exceto de veículos automóveis e motociclos, que empregou 471,1 mil pessoas, o que representa 62,4% do emprego total do setor. Esta concentração de emprego no comércio a retalho sublinha a sua importância como o principal motor do setor e como um pilar fundamental do mercado de trabalho português.

O EMPREGO NO SETOR DO COMÉRCIO A RETALHO

Segundo os dados da Eurostat, o setor do retalho (divisão 47) foi o mais afetado pela pandemia em 2020, com uma queda de 6,8% no emprego. No entanto, demonstrou uma recuperação notável em 2021, com um crescimento homólogo de 4,6%, seguido por um crescimento de 0,9% em 2023 e 2,6% em 2024. O número de empregados nesta divisão continuou a crescer, atingindo 471,1 mil em 2024.

No segundo trimestre de 2025, o emprego no setor do retalho alcançou 479,8 mil profissionais, com uma variação trimestral de 0,4%, o que reforça a tendência de crescimento seguida nos anos anteriores.

O setor do retalho caracteriza-se por uma maior feminização.

No ano 2024, a distribuição do emprego total por género em Portugal revela uma paridade a nível nacional, com 2,6 milhões de homens (51% do total do emprego) e 2,5 milhões de mulheres (49%).

No setor do retalho, do total de 471,1 mil pessoas empregadas, 60,5% eram mulheres, totalizando 285 mil pessoas, e 39,5% homens, com um total de 186 mil pessoas.

A análise da distribuição da PCO mostra que o setor do retalho, concentra a maioria do seu emprego em posições qualificadas e de nível intermédio. Os profissionais qualificados e semiqualificados representam, em conjunto, 67,3% do total de empregados, com 42,3% e 25% respetivamente.

Em contraste, os profissionais não qualificados correspondem a uma parcela significativamente menor (5,1%), e os praticantes e aprendizes têm a menor representatividade (3,7%).

SISTEMA DE CONTAS INTEGRADAS DAS EMPRESAS, PESSOAL AO SERVIÇO E REMUNERAÇÃO

Em 2023, o número total de empresas no setor do retalho em Portugal foi de 123.900, o que significa uma queda de 0,8% em relação ao ano anterior.

A distribuição por tipo de estabelecimento revela a predominância da categoria de outros estabelecimentos especializados (vestuário, calçado, joalharia, cosméticos ou flores), com 31%, seguido dos estabelecimentos não especializados (hipermercados, supermercados, e grandes armazéns), com 13%, e alimentos, bebidas e tabaco, com 12%. No resto a distribuição é um pouco mais equilibrada.

Desde o ano 2008 o setor do retalho registou uma diminuição significativa, com uma ligeira recuperação a partir de 2015, e uma queda mais acentuada a partir de 2016. No ano 2023, o comércio a retalho contava com 123.900 empresas, que empregavam 479.896 pessoas. Em termos de empresas, a atividade do retalho de outros produtos (com 38.421) e estabelecimentos não especializados (com 16.545) lideram o mercado. Esta forte presença sugere um mercado com elevada concorrência e diversidade, onde coexistem grandes cadeias de distribuição e retalhistas especializados.

No que diz respeito ao emprego, a atividade do retalho em estabelecimentos não especializados é o maior empregador, com 161.628 pessoas, o que representa cerca de 33,7% do pessoal ao serviço do retalho. A atividade de “outros produtos” é o 2º maior empregador, com 142.852 pessoas.

Segundo os dados do INE, a remuneração no setor do comércio e reparação de veículos teve uma tendência de crescimento sustentado ao longo de uma década. Desde junho de 2015, quando a remuneração se situava nos 1.028€, o valor aumentou continuamente, atingindo 1.539€ em junho de 2025. Apesar de flutuações cíclicas e sazonais, que tipicamente ocorrem em torno dos meses de pagamento de subsídios, a tendência foi ascendente, indicando uma valorização contínua dos salários neste setor.

Em junho de 2025 alcançou os 1.539€, o que representa um crescimento de 6,9% em relação ao mês anterior e um aumento de 5,6% na comparação homóloga.

DADOS DE REGISTOS DESEMPREGO REGISTADO

Em fevereiro de 2025, 31.580 pessoas estavam registadas como desempregadas nos Centros de Emprego do país, isto significa uma redução de 7,3% em relação a janeiro de 2022. Embora esta redução seja um sinal positivo, este setor apresenta uma forte sazonalidade: atinge picos nos meses de inverno (início do ano) e regista mínimos nos meses de verão, refletindo a dependência do setor aos picos de consumo no meses mais turísticos.

Para além disso, os desempregados do comércio representavam 10,3% do total do desemprego registado no país. Esta percentagem sublinha o papel central do comércio no mercado de trabalho nacional.

Segundo os dados do IEFP, o desemprego registado no setor do comércio apresenta fortes disparidades regionais em Portugal. Embora os maiores volumes absolutos de desempregados se concentrem no Norte e em Lisboa, o que é esperado dada a densidade populacional, a relevância percentual do desemprego é maior noutras regiões.

A Madeira lidera com 17,6% do desemprego total da região, seguida pelo Algarve com 17,3%, e os Açores com 11,2%. Estes números sublinham que, apesar do menor número absoluto de desempregados, o setor do comércio é vital para o mercado de trabalho local nestas áreas, sendo altamente vulnerável às flutuações sazonais e ao desempenho do turismo.

Consulte este estudo completo e outros no site da Randstad Portugal em www.randstad.pt/randstad-research/

Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 237 de Dezembro de 2025

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