Quer investir em robôs humanóides? Nova corrida ao ouro é oportunidade para os investidores privados, dizem especialistas

O mercado dos robots humanóides está a abrir uma janela de oportunidade rara para investidores privados que queiram entrar numa indústria emergente, ainda em fase de consolidação de líderes a longo prazo.

André Manuel Mendes
Julho 2, 2025
17:26

O mercado dos robôs humanóides está a abrir uma janela de oportunidade rara para investidores privados que queiram entrar numa indústria emergente, ainda em fase de consolidação de líderes a longo prazo.

De acordo com uma análise da Freedom24, a forma mais direta de participar é através da compra de ações de empresas tecnológicas de topo, como fabricantes de chips de inteligência artificial (IA) — entre elas a TSMC — ou dos criadores dos próprios humanóides, como a Tesla com o seu projeto Optimus.

Para quem prefere diversificar, existem fundos temáticos negociados em bolsa, como o BOTZ ou o ARKQ, que agregam várias empresas do setor da robótica e IA. Outra aposta estratégica importante são os fabricantes de equipamentos de litografia e processamento, como a ASML, que beneficiam diretamente da crescente procura por processadores avançados para equipar estes robôs .

Atualmente, o mercado ainda está numa fase inicial, o que implica elevada volatilidade e a necessidade de um horizonte de investimento entre cinco a sete anos, com um portfólio diversificado por setores relacionados.

 

Empresas públicas já lucram com componentes para humanóides

A cadeia de valor dos robôs humanóides destaca-se pela forte atuação dos fabricantes de plataformas de computação, como a NVIDIA, cuja arquitetura Jetson GPU é fundamental para o processamento de algoritmos avançados de visão artificial. Os chips da NVIDIA são produzidos pela TSMC, que tem registado uma procura recorde.

No setor dos semicondutores, empresas como Applied Materials, Lam Research e KLA são essenciais para a expansão das capacidades de produção de chips de alta precisão. Já nos sensores e eletrónica de potência, a TE Connectivity, Honeywell, STMicroelectronics e Infineon são grandes beneficiárias da crescente necessidade de componentes energicamente eficientes.

No topo do fornecimento de equipamentos está a ASML, que detém o monopólio na produção de scanners EUV, essenciais para a fabricação dos chips que permitem aos robôs “ver” e aprender em tempo real.

Enquanto a produção em massa de sistemas humanóides ainda não é uma realidade, os maiores lucros concentram-se nos produtores dos componentes básicos: fabricantes de chips (NVIDIA, AMD, TSMC, Samsung Foundry), máquinas de litografia (ASML, Applied Materials, Lam Research, KLA) e fornecedores de sensores e eletrónica (TE Connectivity, STMicroelectronics, Infineon, Honeywell, ABB).

À medida que os custos dos componentes diminuem, os integradores dos robôs , como Tesla, Figure AI e Sanctuary AI, bem como os fornecedores de plataformas de computação em nuvem (Microsoft, Alphabet), que treinam os sistemas de IA, passarão a liderar o mercado.

 

Oportunidade a longo prazo

De acordo com os especialistas da Freedom24, o mercado dos robôs humanóides encontra-se numa fase comparável ao desenvolvimento inicial dos semicondutores nos anos 70 ou da Internet nos anos 90. Embora a tecnologia já esteja disponível, o retorno comercial é ainda limitado, criando uma oportunidade estratégica para investidores com visão e paciência para um horizonte de 5 a 10 anos.

O desafio para o investidor privado não é escolher o vencedor final na corrida pelos humanóides, mas sim identificar as camadas do ecossistema tecnológico já maduras, nomeadamente a infraestrutura que suporta essa revolução.

Assim como na corrida ao ouro, onde os vendedores de ferramentas enriqueceram mais que os próprios mineiros, a corrida à IA deverá ser ganha por quem investir na base tecnológica. Para reduzir riscos, recomenda-se o uso de ETFs temáticos que abrangem várias áreas do setor, ou a seleção criteriosa de ações de empresas financeiramente sólidas e bem posicionadas.

“Investir em robótica humanóide é uma aposta na transformação a longo prazo do trabalho, da logística, da segurança e da vida quotidiana. Embora este mercado ainda esteja a dar os primeiros passos, o seu potencial de capitalização pode rivalizar com a revolução informática do início do século XXI”, referem os especialistas.

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