Protestos contra recolher obrigatório: Holanda e Dinamarca à beira de uma possível «guerra civil»

Depois de dias cheios de manifestações violentas contra a regra do recolher obrigatório, Holanda e Dinamarca podem estar perto de enfrentar uma «guerra civil», com as autoridades obrigadas a intervir por diversas vezes para acalmar os ânimos.

Simone Silva
Janeiro 26, 2021
9:12

Depois de dias cheios de tumultos e muitas manifestações violentas contra a regra do recolher obrigatório, Holanda e Dinamarca podem estar perto de enfrentar uma «guerra civil», com as autoridades obrigadas a intervir por diversas vezes para acalmar os ânimos, avança o o jornal ‘Euro Weekly News’.

Na Holanda, as autoridades policiais alertaram para o facto de que o país pode enfrentar várias semanas de tumultos, na sequência das manifestções contra o recolher obruigatório, que se juntam ao descontentamento pelos atrasos no processo de vacinação.

Na noite passada as forças de segurança holandesas detiveram mais de 240 pessoas, com a polícia a utilizar gás lacrimogéneo e canhões de água para interromper as manifestações em Amsterdão e Eindhoven, causando muita confusão em todo o país.

«Estamos a caminho de uma guerra civil», alertou John Jorritsma, presidente da câmara de Eindhoven após a cidade ter sido atingida pelos piores e mais violentos protestos das últimas quatro décadas.

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, descreveu a violência que acompanhou os protestos contra o bloqueio em algumas cidades holandesas como “inaceitável”. Rutte disse que 99% das pessoas estão a cumprir as novas regras mais rígidas, incluindo o recolher obrigatório às 21h que entrou em vigor no sábado. Mas destacou o vandalismo em Amsterdão e Eindhoven, bem como em Enschede, onde um edifício de hospital foi vandalizado.

“Qualquer pessoa normal vai olhar para isto com nojo e perguntar-se o que aconteceu com estas pessoas”, disse Rutte. ‘Isto não tem nada a ver com protestar: é violência criminosa e é assim que vamos tratá-la.”, afirmou manifestando o seu apoio à polícia, presidentes de autarquias e jornalistas que foram visados ​​durante a reportagem sobre a violência do fim de semana.

Por sua vez, na Dinamarca, dois homens foram detidos sob suspeita de ameaçar a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, depois de um protesto no fim de semana contra as restrições ao coronavírus se ter tonado violento, segundo as autoridades do país.

Uma efígie de Frederiksen foi pendurada num poste e posteriormente incendiada no protesto em Copenhaga, na noite de sábado. Uma placa com as palavras “Ela deve ser morta” foi pendurada na efígie, segundo a polícia. Os dois suspeitos, de 30 e 34 anos, foram a julgamento.

Um deles admitiu ter pendurado a efígie num poste de eletricidade durante os distúrbios, mas negou tê-la incendiado. “Nem em sonhos imaginei que isso causasse tantos problemas como já causou”, disse no tribunal.

Segundo o homem, foi ele que trouxe a efígie para os protestos com os outros dois suspeitos antes de ser detido pela polícia. “Fomos parados por alguns agentes. Pensaram que era uma mulher que tinha caído. Perguntaram se ela estava bem e nós explicamos que era apenas uma boneca», adiantou.

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