O presidente do Governo dos Açores sublinhou hoje, em relação à autonomia do arquipélago, a importância dos poderes constitucionais do Presidente da República, defendendo um trabalho “contra os centralistas”.
José Manuel Bolieiro votou para as presidenciais na sua freguesia natal da Fajã de Baixo, no concelho de Ponta Delgada, e foi questionado sobre se qualquer um dos candidatos serve a autonomia dos Açores.
“O que conta são os poderes constitucionais que o Presidente da República tem e também o entendimento sobre um país descentralizado”, afirmou Bolieiro, que, enquanto líder do PSD/Açores, não deu indicação de voto sobre nenhum dos candidatos presidenciais, à semelhança do presidente do partido, Luís Montenegro.
Para o exercício do cargo de Presidente da República, acrescentou, conta, neste contexto, o desenvolvimento de “um trabalho contra os centralistas”, que o chefe de Estado pode fazer “enquanto moderador”, o que é “bem-vindo do lado dos autonomistas”.
“Penso que este é um trabalho do interesse do país. A autonomia política dos Açores e Madeira não [constitui] uma rivalidade entre as regiões autónomas contra o continente, mas sim uma visão nacional que ajuda a dar coesão social e territorial, igualdade de oportunidades a todos os portugueses em qualquer território em que estejam presentes”, disse.
Para Bolieiro, a dimensão geopolítica e geoestratégica dos Açores “acrescenta muito valor ao país” e o Presidente da República deve ter “apetência para valorizar os ativos que o país tem”.
As assembleias de voto abriram às 08:00 de hoje no continente e na Madeira para a segunda volta das eleições presidenciais, encerrando às 19:00.
Nos Açores, as mesas de voto abrem e encerram uma hora depois em relação à hora de Lisboa, devido à diferença horária.
Há, no entanto, municípios onde o ato eleitoral foi adiado devido à devastação provocada pelo mau tempo das últimas semanas, que provocou 14 mortos, centenas de feridos e desalojados, e deixou um rastro de destruição.
Mais de 11 milhões de eleitores são chamados a escolher o novo Presidente da República, num sufrágio que opõe António José Seguro a André Ventura, os dois mais votados em 18 de janeiro.
No primeiro sufrágio, Seguro obteve 31,1% dos votos e Ventura, 23,52%, segundo o edital do apuramento geral dos resultados.







