Portugueses são os cidadãos da UE mais preocupados com fluxos migratórios — Eurobarómetro

– Portugal é o Estado-membro da União Europeia onde os cidadãos estão mais preocupados com “fluxos migratórios descontrolados” e com “catástrofes naturais agravadas pelas alterações climáticas”, segundo o Eurobarómetro de outono, hoje divulgado.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 4, 2026
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Portugal é o Estado-membro da União Europeia onde os cidadãos estão mais preocupados com “fluxos migratórios descontrolados” e com “catástrofes naturais agravadas pelas alterações climáticas”, segundo o Eurobarómetro de outono, hoje divulgado.


De acordo com o Eurobarómetro, 88% dos inquiridos em Portugal declaram-se “muito preocupados” com “fluxos migratórios descontrolados”, um valor muito acima da média europeia (65%) e que coloca o país em primeiro lugar entre os 27 Estados-membros da União Europeia (UE).


Os únicos países que se aproximam da taxa de Portugal são Chipre (86%), Grécia (84%), Malta e Itália (81%) — tudo países na orla do Mediterrâneo –, o que contrasta com níveis significativamente inferiores em Estados-membros do norte da Europa, como a Suécia (32%) ou a Dinamarca (48%).


No entanto, apesar desta taxa elevada, a maior preocupação dos portugueses prende-se com “catástrofes naturais agravadas pelas alterações climáticas”: nove em dez (91%) cidadãos dizem-se “muito preocupados” com esses fenómenos, novamente muito acima da média europeia (68%).


O relatório salienta que a preocupação com as alterações climáticas é particularmente visível em países mediterrânicos: cerca de três em quatro cidadãos da Grécia, Itália, Chipre, Espanha e Croácia manifestam preocupação quanto ao estado do ambiente, ao contrário dos países do norte e centro da Europa, como a Estónia (28%), República Checa (42%) e Dinamarca (44%).


“Estas diferenças podem em parte refletir experiência recentes com eventos climáticos extremos, como por exemplo ondas de calor ou fogos florestais, que tendem a afetar o sul da Europa de maneira mais severa”, explica o Eurobarómetro.


Além dos fluxos migratórios e das alterações climáticas, os portugueses manifestam também preocupação com o terrorismo (74%), conflitos e guerras nas fronteiras da UE (71%) e com ameaças à liberdade de expressão (70%).


Apesar destas preocupações, os portugueses são a décima população que manifesta maior otimismo quanto ao futuro da UE: cerca de 64% dos inquiridos diz-se otimista, acima da média europeia de 57%.


Os portugueses estão, aliás, entre os cidadãos mais favoráveis ao projeto europeu, com 84% dos inquiridos a considerar que o facto de Portugal pertencer à União Europeia é “uma coisa boa” (contra 62% a nível europeu).


Uma larga maioria pede mesmo que se reforce o projeto europeu: cerca de 96% dos inquiridos portugueses diz concordar com a afirmação de que “os Estados-membros da UE devem reforçar a sua união para enfrentar os desafios globais atuais” (contra uma média europeia de 89%) e 90% pedem que se dote a UE de mais recursos (contra 73% a nível europeu).


Questionados sobre qual deve ser a primeira prioridade do Parlamento Europeu, 68% dos portugueses dizem ser a saúde pública, seguido da inflação, aumento dos preços e custo de vida (58%) e a economia e criação de emprego (45%).


Este Eurobarómetro baseou-se em entrevistas a 26.453 cidadãos europeus, feitas entre 06 e 30 de novembro de 2025. Em Portugal, foram inquiridos 1.037 cidadãos, entre 07 e 26 de novembro.



TA // SCA


Lusa/Fim

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