Portugal está preparado para a nova era da climatização?

Opinião de Ricardo Martins, Head of HVAC Business at Samsung Electronics – Spain & Portugal

Executive Digest
Janeiro 8, 2026
12:01

Por Ricardo Martins, Head of HVAC Business at Samsung Electronics – Spain & Portugal

As casas portuguesas estão a mudar mais depressa do que imaginamos. O aumento das temperaturas, a pressão regulatória europeia e a necessidade de reduzir consumos energéticos colocaram o conforto térmico no centro das decisões das famílias e do imobiliário. Durante décadas, a climatização foi vista como um extra; hoje é uma condição básica para viver bem e para valorizar qualquer habitação. E esta transformação é tão estrutural que deixou de ser apenas uma questão de bem-estar. É também uma questão de sustentabilidade e de preparação para o futuro.

A Europa já reconheceu esta urgência. A Associação Europeia de Bombas de Calor alerta para uma “lacuna de climatização” crescente: a procura por arrefecimento aumenta, mas a infraestrutura ainda não acompanha o ritmo. Em Portugal, esta realidade é ainda mais evidente. A nossa climatologia mediterrânica, marcada por verões cada vez mais quentes e ondas de calor mais prolongadas, aliada a um parque habitacional antigo e pouco eficiente, cria uma pressão adicional. O que antes podia ser resolvido com soluções pontuais tornou-se insuficiente. Hoje, a eficiência energética é uma prioridade nacional.

É neste contexto que a inovação assume um papel determinante. As novas regras europeias para gases fluorados estão a empurrar todo o setor para tecnologias mais limpas e refrigerantes de baixo Potencial de Aquecimento Global. Para fabricantes com visão de futuro, este desafio tornou-se um acelerador de investimento. O desenvolvimento de sistemas preparados para estes novos requisitos exige engenharia, investigação e, sobretudo, um profundo entendimento das necessidades reais das pessoas.

As soluções residenciais mais recentes mostram como este caminho está a ser percorrido: equipamentos mais silenciosos, eficientes, adaptáveis, fáceis de instalar e de integrar em qualquer tipologia de habitação. As novas soluções procuram integrar gases refrigerantes que antecipem exigências europeias e respondam, ao mesmo tempo, a uma preocupação crescente dos consumidores: como reduzir a pegada ambiental sem comprometer o conforto.

Mas a evolução não está apenas nos equipamentos; está também na experiência de utilização. O lar moderno tornou-se um ecossistema tecnológico. A possibilidade de monitorizar consumos, ajustar temperaturas à distância ou permitir que o próprio sistema aprenda padrões de utilização e otimize o seu funcionamento representa um salto qualitativo que vai muito além do simples “ar condicionado”. É gestão inteligente de energia, num momento em que a fatura energética pesa cada vez mais no orçamento familiar.

O mercado português tem aqui uma oportunidade. A transição energética não se fará apenas através de grandes obras ou investimentos industriais. Fará também casa a casa, solução a solução, na forma como modernizamos edifícios, apoiamos a adoção de tecnologias eficientes e criamos condições para que as famílias façam escolhas sustentáveis sem perder qualidade de vida.

O conforto doméstico entrou noutra era. E a soma de pequenas decisões — a escolha de uma solução mais eficiente, a aposta em equipamentos silenciosos, a integração com sistemas inteligentes — pode ter um impacto maior do que imaginamos. Se o futuro da climatização será inevitavelmente mais limpo, mais conectado e mais eficiente, então Portugal tem tudo para ser parte ativa desta mudança. Basta não ficar para trás.

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