Pandemia vai empurrar cerca de 120 mil portugueses para a fome

Regras de acesso ao Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas Mais Carenciadas vão ser simplificadas de forma a que a elegibilidade do candidato seja quase automática.

Executive Digest
Maio 20, 2020
19:17

No período que antecedeu a eclosão do surto do novo coronavírus em Portugal o programa alimentar, financiado pela União Europeia através do Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas Mais Carenciadas (FEAC) já apoiava 90 mil pessoas no nosso país. Segundo a ministra do Trabalho e da Segurança Social, o fundo chegará a 120 mil portugueses já em julho próximo.

Segundo detalhou Ana Mendes Godinho, esta quarta-feira na comissão parlamentar de Trabalho e Segurança Social, para agilizar o acesso a este apoio já reuniu com os seus pares europeus, e garante que as regras vão ser simplificadas de forma a que a elegibilidade do candidato seja quase automática.

A ministra deu ainda nota de que, nos últimos dois meses, as cantinas sociais serviram mais 103 mil refeições e especificou que, também neste período, foram criados 21 novos espaços de apoio de retaguarda para sem-abrigo.

Recorde-se que segundo a recente análise “Como está a covid-19 a mudar o mundo: uma perspectiva estatística” do Eurostat, tudo indica que cerca de 40 a 60 milhões de pessoas vão ficar em pobreza extrema e a África Subsaariana pode ser a região mais atingida.

Apesar da volatilidade destes tempos, esta análise trabalha os dados mais recentes da pesquisa ‘166 PovcalNet’ (uma ferramenta online do Banco Mundial para estimar a pobreza global) e extrapolar para o futuro usando projeções de crescimento da edição de abril de 2020 do ‘World Economic Outlook’.

Comparar estes números já impactados pela covid-19 com as previsões da edição anterior do ‘World Economic Outlook’ de outubro, permite uma avaliação do impacto da pandemia no mundo pobreza. Ainda que outros fatores também possam influenciar (para pior ou melhor) as perspectivas de crescimento dos países entre outubro e abril, mas, para o Eurostat, é seguro dizer que a maioria das mudanças nas previsões devem-se à covid-19.

Assim, as previsões revelam que a covid-19 deverá causar o primeiro aumento da pobreza global desde 1998, altura do auge da crise financeira asiática. Com as novas previsões, a pobreza global – a parcela da população do mundo a viver com menos de 1,90 dólares por dia –  poderá aumentar de 8,2% em 2019 para 8,6% em 2020, passando de 632 milhões para 665 milhões de pessoas.

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