“Os bancos que não construírem ecossistemas de parceria em torno da IA arriscam-se a perder relevância”, alerta a KPMG

A próxima grande transformação do setor bancário será impulsionada pela Inteligência Artificial (IA) e por ecossistemas de parcerias estratégicas, conclui um estudo global da KPMG.

André Manuel Mendes
Janeiro 15, 2026
11:19

A próxima grande transformação do setor bancário será impulsionada pela Inteligência Artificial (IA) e por ecossistemas de parcerias estratégicas, conclui um estudo global da KPMG.

O relatório, intitulado Alliance or obsolescence: How banks can win with an AI-driven ecosystem, sublinha que os bancos não podem depender apenas das suas capacidades internas para inovar e crescer.

Segundo a KPMG, a criação de ecossistemas de parceiros – envolvendo fintechs, fornecedores de tecnologia, plataformas de cloud, especialistas em cibersegurança, consultoras e instituições académicas – será essencial para responder às expectativas dos clientes, que exigem experiências rápidas, simples e personalizadas.

“A Inteligência Artificial deixou de ser um tema experimental para se tornar num fator decisivo que ditará o futuro da competitividade no setor bancário. Os bancos que não conseguirem construir ecossistemas de parceria em torno desta tecnologia arriscam-se a perder a sua relevância, tanto junto dos clientes como no próprio mercado”, alerta Rui Gonçalves Head of Technology Consulting da KPMG em Portugal.

De acordo com outro estudo da KPMG, o Banking Technology Survey de 2025, 74% dos executivos bancários planeiam expandir as suas redes de parceiros nos próximos um a três anos, enquanto mais de metade está a explorar novas alianças para acelerar a inovação, ganhar escala e chegar a novos segmentos de clientes.

Hoje, a IA na banca concentra-se sobretudo em tarefas de back-office, como automação de processos, deteção de fraude, monitorização de compliance e previsão financeira. Nos Estados Unidos, 70% dos líderes bancários já reportam poupanças significativas de custos graças à implementação da tecnologia. A KPMG alerta, porém, que o verdadeiro potencial da IA só será alcançado quando for aplicada no front-office, melhorando a experiência do cliente e permitindo o desenvolvimento de novos produtos e serviços.

O estudo destaca que os pagamentos serão uma das áreas com maior transformação: atualmente, apenas 6% dos bancos utilizam soluções de pagamento baseadas em IA, mas esse número deverá atingir 58% dentro de um ano. Esta evolução decorre da entrada de empresas tecnológicas e grandes retalhistas no espaço financeiro, oferecendo experiências digitais integradas e convenientes.

Do lado dos clientes, há também abertura para a inovação: 54% dos consumidores afirmam que gostariam que os bancos utilizassem os seus dados para oferecer experiências mais personalizadas, desde recomendações de produtos a apoio proativo na gestão financeira.

Em paralelo, a KPMG alerta para a necessidade de equilibrar inovação e gestão de risco, destacando cinco prioridades: reforçar a gestão de risco de terceiros, alinhar práticas de cibersegurança com parceiros, melhorar a governação e qualidade dos dados, acompanhar a evolução regulatória (incluindo o novo enquadramento europeu de IA) e estabelecer protocolos de compliance e auditoria específicos para sistemas baseados em IA.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.